O avanço da idade traz mudanças fisiológicas importantes para cães e gatos, muitas vezes acompanhadas por dor crônica, alterações neurológicas e maior sensibilidade ao estresse.
Nesse contexto, a gabapentina tem ganhado espaço como uma aliada no manejo clínico desses pacientes.
Originalmente desenvolvida para uso humano, a medicação passou a ser incorporada na prática veterinária devido à sua ação sobre o sistema nervoso, especialmente em casos de dor neuropática e como adjuvante em diferentes condições.
“A gabapentina é um fármaco bastante versátil na rotina clínica, principalmente em pacientes idosos, que frequentemente apresentam quadros crônicos e multifatoriais”, explica a veterinária Marisol Justo.
Quando a gabapentina é indicada
A principal indicação da gabapentina em cães e gatos está relacionada ao controle da dor neuropática, que pode ser difícil de manejar apenas com anti-inflamatórios convencionais.
Entre as situações mais comuns, destacam-se:
- Doenças ortopédicas crônicas, como osteoartrite;
- Lesões ou compressões nervosas;
- Dor associada a doenças degenerativas;
- Controle adjuvante em casos de convulsões;
- Redução de estresse em situações específicas, como transporte ou consultas.
“A dor em animais idosos nem sempre é evidente. Muitas vezes ela se manifesta por mudanças comportamentais, como redução da atividade ou isolamento”, destaca Marisol Justo.

Benefícios no paciente geriátrico
A utilização da gabapentina pode trazer benefícios importantes para a qualidade de vida de cães e gatos idosos, especialmente quando integrada a um plano terapêutico mais amplo.
Entre os principais ganhos estão:
- Melhora no controle da dor crônica;
- Aumento da mobilidade;
- Redução da ansiedade em situações pontuais;
- Melhor adaptação a procedimentos veterinários.
Outro ponto relevante é que, em geral, o fármaco apresenta boa tolerabilidade quando utilizado nas doses corretas e com acompanhamento profissional.
“Em muitos casos, a gabapentina permite reduzir a necessidade de outros medicamentos, o que é especialmente importante em pacientes idosos, que já podem fazer uso de múltiplas terapias”, afirma a veterinária.
Possíveis efeitos adversos e contraindicações
Apesar dos benefícios, o uso da gabapentina exige atenção, principalmente em animais idosos, que podem apresentar alterações metabólicas e maior sensibilidade a medicamentos.
Os efeitos adversos mais comuns incluem:
- Sedação;
- Ataxia (dificuldade de coordenação);
- Letargia.
Em geral, esses efeitos são dose-dependentes e podem ser ajustados com orientação veterinária.
A gabapentina deve ser utilizada com cautela em pacientes com comprometimento renal, animais muito debilitados e em casos de associação com outros sedativos.
“A individualização do tratamento é fundamental. O que funciona para um paciente pode não ser adequado para outro, especialmente em geriatria”, ressalta Marisol Justo.
Uso responsável e acompanhamento são essenciais
Embora seja considerada segura quando bem indicada, a gabapentina não deve ser administrada sem prescrição.
A avaliação veterinária é indispensável para definir dose, frequência e duração do tratamento.
Além disso, o acompanhamento contínuo permite ajustes conforme a resposta do animal, garantindo maior eficácia e segurança.
“O objetivo não é apenas tratar a doença, mas proporcionar conforto e bem-estar ao animal idoso, respeitando suas limitações e necessidades”, conclui a veterinária.

FAQ sobre uso de gabapentina em animais idosos
A gabapentina pode ser usada continuamente em animais idosos?
Sim, em alguns casos ela pode fazer parte de um tratamento de longo prazo, desde que haja acompanhamento veterinário regular.
O medicamento causa muita sonolência?
A sedação pode ocorrer, principalmente no início do uso ou em doses mais altas, mas costuma ser ajustada conforme a resposta do animal.
Pode ser usada junto com outros medicamentos?
Sim, mas a associação deve ser feita com orientação veterinária para evitar interações e efeitos adversos.
