Opções
Clínica e Nutrição

Menor diversidade genética pode aumentar risco de doenças raras em algumas raças de cães

Entidade espanhola alerta que mutações hereditárias e linhagens reprodutivas mais restritas podem favorecer o surgimento de patologias pouco frequentes na população canina

Menor diversidade genética pode aumentar risco de doenças raras em algumas raças de cães
Por Equipe Cães&Gatos
7 de março de 2026

As doenças raras não atingem apenas seres humanos. Em cães, essas condições também podem ocorrer e, em alguns casos, comprometer de forma significativa a saúde e o bem-estar dos animais.

O alerta foi feito pela Real Sociedade Canina de Espanha (RSCE) por ocasião do Dia Mundial das Doenças Raras. 

De acordo com a entidade, embora essas patologias possam surgir em qualquer raça, determinadas populações caninas apresentam maior predisposição genética.

Raças como Golden Retriever, Pastor Alemão e Beagle são citadas entre as que podem ter maior risco. 

Isso ocorre porque algumas linhagens apresentam menor diversidade genética, resultado de processos reprodutivos mais restritos, o que aumenta a probabilidade de mutações hereditárias.

Diagnóstico pode ser desafiador

Doenças raras ou pouco frequentes são caracterizadas pela baixa prevalência na população. No caso dos cães, muitas vezes passam despercebidas porque os sinais clínicos podem ser confundidos com problemas mais comuns.

Essa semelhança de sintomas dificulta a identificação precoce e pode atrasar a busca por avaliação veterinária adequada. 

Como consequência, alguns animais demoram mais para receber diagnóstico e tratamento.

Segundo a RSCE, a detecção precoce e o acompanhamento especializado são fundamentais para melhorar o prognóstico. 

O acompanhamento veterinário adequado pode fazer “uma diferença significativa” na evolução dessas condições e na qualidade de vida dos animais afetados.

Cinco doenças raras destacadas em cães

Para ampliar a conscientização sobre o tema, a entidade destacou algumas doenças raras que podem ocorrer na população canina.

Entre elas está a Doença de Addison, também chamada de hipoadrenocorticismo. Cães afetados podem apresentar cansaço excessivo, perda de apetite, vômitos ou diarreia. 

Em situações mais graves, podem ocorrer crises com risco à vida, o que torna o diagnóstico ainda mais desafiador devido à semelhança com outras enfermidades.

Outra condição mencionada é a Síndrome de Wobbler, também conhecida como espondilopatia cervical. 

A doença provoca compressão da medula espinhal e dos nervos responsáveis pelo movimento das patas, resultando em marcha instável, falta de coordenação e fraqueza nos membros.

A organização também cita a Síndrome da Cauda de Limber, popularmente chamada de “cauda partida”. 

Trata-se de uma inflamação muscular dolorosa na base da cauda, frequentemente associada a esforço físico intenso, exercícios prolongados ou exposição ao frio. Embora geralmente não seja grave, pode causar desconforto significativo durante os episódios.

Outra enfermidade mencionada é a Disautonomia Canina, que afeta o sistema nervoso responsável por funções automáticas do organismo, como digestão, deglutição e regulação da temperatura corporal. 

Animais com a condição podem apresentar dificuldades para engolir, problemas digestivos e alterações oculares.

Por fim, a RSCE destaca a Imunodeficiência Combinada Grave (SCID), uma alteração genética que compromete o funcionamento do sistema imunológico. 

Cães afetados tornam-se altamente vulneráveis a infecções desde as primeiras semanas de vida. 

Segundo a entidade, embora a doença seja incomum, trata-se de uma condição grave que reforça a importância de rastreamentos genéticos em programas de reprodução.

Fonte: Veterinaria Atual, adaptado por Cães & Gatos

FAQ sobre diversidade genética e doenças raras

O que são doenças raras em cães?

São enfermidades que apresentam baixa prevalência na população canina e podem ser difíceis de diagnosticar devido à semelhança com sintomas de doenças mais comuns.

Algumas raças têm maior risco?

Sim. Raças com menor diversidade genética podem apresentar maior predisposição a determinadas doenças hereditárias.

Por que o diagnóstico precoce é importante?

A identificação rápida permite iniciar o acompanhamento veterinário adequado e melhorar a qualidade de vida do animal.