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Diagnóstico além do óbvio da hipertensão pulmonar em cães é destaque na SACAVET 2026

Durante a SACAVET, especialista destaca que a hipertensão pulmonar não é uma doença isolada, mas uma alteração hemodinâmica que exige investigação da causa primária

Diagnóstico além do óbvio da hipertensão pulmonar em cães é destaque na SACAVET 2026
Por Melissa Marques
31 de março de 2026
Última atualização: 01/04/2026 - 11:48

A hipertensão pulmonar em cães foi tema de destaque durante a SACAVET 2026, em aula ministrada pelo Prof. Dr. André Martins Gimenes. 

O especialista trouxe uma abordagem prática e atualizada sobre diagnóstico, classificação e manejo clínico da condição, reforçando a importância de não tratá-la como um diagnóstico final.

Logo no início, o palestrante destacou um ponto essencial para a prática clínica: a hipertensão pulmonar deve ser entendida como uma consequência de outras doenças — e não como uma enfermidade isolada. 

Essa mudança de perspectiva é fundamental para evitar condutas inadequadas e melhorar o prognóstico dos pacientes.

Mais que um diagnóstico: entender a causa é essencial

Durante a apresentação, Gimenes reforçou que identificar a hipertensão pulmonar é apenas o início da investigação clínica.

“Essa condição não é uma afecção, não é uma doença e, portanto, não deve ser um diagnóstico final. Quando a gente diagnostica hipertensão pulmonar, a gente precisa buscar o que está levando a essa alteração hemodinâmica”, explicou o especialista.

Em condições fisiológicas, a circulação pulmonar apresenta baixa resistência e alta capacidade de acomodação de volume. 

No entanto, quando há aumento da pressão nesse sistema, ocorre prejuízo na perfusão e nas trocas gasosas, além de sobrecarga do ventrículo direito.

Esse aumento de esforço cardíaco pode evoluir para disfunção das câmaras direitas e, em casos mais avançados, comprometer todo o sistema cardiovascular.

Classificações orientam o raciocínio clínico

Outro ponto central abordado foi a classificação da hipertensão pulmonar, fundamental para direcionar o tratamento.

“A hipertensão pulmonar pode ser classificada em seis grupos de acordo com a etiologia, e isso é fundamental porque o tratamento depende diretamente dessa classificação”, pontuou.

Entre os principais grupos estão os casos relacionados a shunts cardíacos, doenças do lado esquerdo do coração, doenças respiratórias crônicas, tromboembolismo pulmonar, infecções parasitárias e causas multifatoriais.

Além disso, a classificação hemodinâmica divide os casos em pré-capilares e pós-capilares, dependendo da localização da alteração no fluxo sanguíneo pulmonar. 

Essa distinção tem impacto direto na conduta terapêutica, especialmente na decisão de utilizar ou não vasodilatadores.

Diagnóstico além do óbvio da Hipertensão pulmonar em cães é destaque na SACAVET 2026
Apresentação detalha classificação da hipertensão pulmonar (Foto: Cães & Gatos)

Alterações fisiopatológicas e impacto sistêmico

A hipertensão pulmonar desencadeia uma série de alterações no organismo, que vão além do sistema respiratório.

“Quando há aumento da pressão pulmonar, o ventrículo direito precisa fazer muito mais força para bombear o sangue, e isso leva à sobrecarga, disfunção e até insuficiência cardíaca direita”, explicou.

Além disso, a relação entre ventilação e perfusão é comprometida, resultando em hipóxia, hipercapnia e sinais clínicos importantes, como dispneia, intolerância ao exercício e cianose.

Outro ponto relevante é que a redução do fluxo sanguíneo pulmonar impacta o retorno venoso ao lado esquerdo do coração, reduzindo também o débito cardíaco sistêmico.

Ecocardiograma é ferramenta central no diagnóstico

Embora o diagnóstico definitivo exija cateterismo, na prática clínica o ecocardiograma é o principal método utilizado.

“Hoje a gente não faz diagnóstico conclusivo com cateterismo. O ecocardiograma permite avaliar a probabilidade de hipertensão pulmonar e também ajuda na classificação etiológica”, destacou.

O exame permite identificar alterações em estruturas como átrio direito, ventrículo direito e artéria pulmonar, além de avaliar a regurgitação tricúspide — um achado comum nesses pacientes.

A partir dessas informações, o clínico consegue classificar a probabilidade da doença e avançar na investigação da causa.

Tratamento depende da causa e exige cautela

O tratamento da hipertensão pulmonar foi apresentado como altamente dependente da causa de base, reforçando a importância do diagnóstico correto.

“O tratamento deve sempre considerar a condição primária. A hipertensão pulmonar é consequência, então tratar apenas a pressão sem tratar a causa pode não resolver o problema”, afirmou.

Em casos associados a doenças cardíacas esquerdas, por exemplo, o uso de vasodilatadores pulmonares não é indicado inicialmente. 

Já em casos com aumento de resistência vascular pulmonar, o uso de sildenafil pode trazer benefícios clínicos importantes.

Além disso, medidas gerais como restrição de exercício intenso, controle de peso, prevenção de parasitoses e evitar situações de estresse são fundamentais no manejo desses pacientes.