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Insuficiência cardíaca em cães: diagnóstico precoce ajuda no manejo da doença

Durante o Setembro Vermelho, atenção aos sinais das cardiopatias e ao acompanhamento dos pacientes é fundamental

Conteúdo oferecido por Dechra
Insuficiência cardíaca em cães: diagnóstico precoce ajuda no manejo da doença
Por Stéfani Campos Chagas
10 de setembro de 2026

Doenças cardíacas estão entre as condições que exigem acompanhamento contínuo na Medicina Veterinária, especialmente em cães idosos e com predisposição racial.   

Entre elas está a Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC), uma consequência da progressão de diferentes cardiopatias que pode comprometer a capacidade do coração de manter o funcionamento adequado da circulação.  

Durante o Setembro Vermelho, campanha que amplia a conscientização sobre a saúde cardiovascular, o diagnóstico precoce ganha ainda mais relevância.  

Identificar alterações antes do aparecimento de sinais graves permite estabelecer estratégias de manejo de acordo com o estágio da doença e as características de cada paciente. 

Segundo Rafaele Pinhão, médica-veterinária e coordenadora técnica de animais de companhia da Dechra, a Doença Mixomatosa da Valva Mitral (DMVM) e a Cardiomiopatia Dilatada (CD) estão entre as principais doenças associadas à ICC em cães.  

A primeira é mais frequente em animais de pequeno porte e idosos, enquanto a segunda é observada principalmente em cães de médio e grande porte. 

“Ambas podem levar à remodelamento cardíaco progressivo e à perda da capacidade de compensação do sistema cardiovascular”, explica.  

Sinais podem passar despercebidos 

A identificação dos primeiros sinais é um dos principais desafios no acompanhamento das cardiopatias.  

Aumento da frequência respiratória em repouso, intolerância ao exercício, cansaço fácil, tosse, dispneia, síncope e redução da capacidade física estão entre as manifestações que devem motivar investigação. 

Nos casos mais avançados, podem surgir edema pulmonar, ascite e redução do escore corporal. Entretanto, nem sempre as primeiras alterações são percebidas como sinais de doença. 

De acordo com Rafaele, diminuição da disposição, redução da atividade física e tosse ocasional costumam ser atribuídas ao envelhecimento, mas essa interpretação pode atrasar a busca por atendimento e a identificação da cardiopatia. 

 Além do envelhecimento, a evolução para ICC pode ser influenciada pelo estágio da doença, pelas alterações estruturais do coração, idade, arritmias, hipertensão arterial, doenças concomitantes e predisposição racial. 

problemas cardíacos em cães
Aumento da frequência respiratória, tosse e cansaço fácil podem indicar problemas cardíacos em cães e exigem consulta com veterinário (Foto: Reprodução)

Diagnóstico orienta a estratégia de tratamento 

Diante da suspeita de insuficiência cardíaca congestiva, a avaliação deve começar com anamnese detalhada e exame físico, incluindo auscultação cardíaca e pulmonar, análise do padrão respiratório e avaliação da perfusão periférica. 

A radiografia torácica auxilia na identificação de cardiomegalia e sinais de congestão pulmonar. Já o ecocardiograma permite avaliar alterações anatômicas e funcionais do coração e investigar a causa da doença. O eletrocardiograma complementa a investigação ao identificar arritmias e distúrbios de condução. 

Exames laboratoriais e aferição da pressão arterial também podem contribuir para uma avaliação mais ampla e para o planejamento terapêutico.  

“É preciso avaliar o paciente integralmente”, destaca a médica-veterinária. 

Uma vez estabelecido o diagnóstico, o tratamento busca controlar os sinais clínicos, reduzir a congestão, melhorar a função cardiovascular, retardar a evolução da doença e preservar a qualidade de vida. 

A conduta depende do estágio da cardiopatia, da presença de congestão, do grau de remodelamento cardíaco, das doenças concomitantes e da resposta ao tratamento.  

Em cães com DMVM em estágio B2, ainda sem sinais clínicos, mas com critérios de remodelamento cardíaco, o consenso American College of Veterinary Internal Medicine (ACVIM) de 2019 recomenda o uso de pimobendan para retardar o início da insuficiência cardíaca. 

“A intervenção precoce permite retardar a progressão das alterações cardiovasculares, prolongar o tempo até o desenvolvimento da insuficiência cardíaca congestiva e reduzir o risco de descompensação clínica”, afirma Rafaele. 

Cardisure® no manejo da ICC 

Entre as opções terapêuticas está o Cardisure®, medicamento à base de pimobendan indicado para o tratamento da insuficiência cardíaca congestiva associada à doença mixomatosa da valva mitral e à cardiomiopatia dilatada em cães. 

O pimobendan combina efeito inotrópico positivo, aumentando a força de contração do músculo cardíaco, e efeito vasodilatador, reduzindo a resistência vascular periférica. Dessa forma, contribui para melhorar o débito cardíaco e diminuir a carga de trabalho do coração. 

“O pimobendan é uma das principais moléculas utilizadas na Cardiologia Veterinária para o tratamento da insuficiência cardíaca em cães”, esclarece Rafaele. 

A utilização do medicamento, entretanto, deve considerar o estágio da doença e as condições individuais do paciente. Em cães com DMVM no estágio B2, o pimobendan pode ser utilizado como estratégia para retardar a evolução para sinais de insuficiência cardíaca, conforme os critérios estabelecidos pelo consenso ACVIM. 

Nos estágios mais avançados, o manejo pode exigir uma abordagem multimodal. Nesses casos, o Cardisure® pode ser associado a outras classes terapêuticas, como diuréticos, Inibidores da Enzima Conversora da Angiotensina (IECA) e antagonistas da aldosterona. 

Rafaele Pinhão, médica-veterinária especializada em Endocrinologia de cães e gatos, mestre em Ciências e coordenadora técnica da linha PET da Dechra (Foto: Cães&Gatos)
Rafaele Pinhão, médica-veterinária e coordenadora técnica de animais de companhia da Dechra (Foto: Cães&Gatos)

Acompanhamento mantém o controle da doença 

A evolução da insuficiência cardíaca não é estática, o que torna o acompanhamento essencial para avaliar a resposta ao tratamento e identificar mudanças no quadro clínico. 

Na definição e nos ajustes do protocolo, devem ser considerados fatores como presença de congestão, função renal, pressão arterial, ocorrência de arritmias, resultados ecocardiográficos e resposta individual aos medicamentos. 

“O monitoramento regular é fundamental para ajustes de dose e avaliação da eficácia terapêutica”, ressalta Rafaele. 

Nesse processo, retornos periódicos permitem acompanhar a evolução da cardiopatia e adequar a conduta conforme as necessidades do paciente. A atenção deve ser ainda maior em cães idosos e em raças predispostas, como o Cavalier King Charles Spaniel. 

Para a médica-veterinária, a identificação de sopros, alterações respiratórias ou redução da tolerância ao exercício deve motivar investigação complementar. Mais do que estabelecer uma prescrição inicial, o manejo da ICC exige acompanhamento ao longo do tempo. 

“O manejo da ICC não depende apenas da prescrição inicial, mas de avaliações regulares que permitam acompanhar a progressão da doença e adequar as condutas terapêuticas ao longo do tempo”, finaliza.