As cardiopatias são um desafio frequente na clínica de pequenos animais, representando cerca de 10% dos atendimentos e figurando como importantes causas de morbidade e mortalidade em cães.
Dentre as doenças cardíacas mais comuns estão a Doença Mixomatosa da Valva Mitral (DMVM) e a Cardiomiopatia Dilatada (CMD), que podem evoluir para Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC). Esses quadros não apenas comprometem a qualidade de vida dos animais, como também diminuem significativamente a expectativa de vida.
Atenta a esse cenário, a Vetnil® anuncia o lançamento do Pimocor®, um medicamento à base de pimobendan, que chega ao mercado com a proposta de atuar de forma eficaz no tratamento da ICC, nos casos associados à doença mixomatosa da valva mitral (DMVM) e à cardiomiopatia dilatada.
“Classificado como inodilatador, o pimobendan possui ação inotrópica positiva, ou seja, aumenta a força de contração do coração, e vasodilatadora, diminuindo a resistência vascular periférica. Seu objetivo principal é melhorar a função do coração e facilitar a circulação do sangue”, afirma Kauê Ribeiro da Silva, médico-veterinário e coordenador de comunicação técnica na Vetnil®.
Por conta dessa ação, o medicamento é recomendado para cães a partir do estágio B2 da DMVM, visto que estudos, como o EPIC, mostraram a sua capacidade de retardar a progressão para ICC (estágio C).
Além disso, em pacientes com cardiomiopatia dilatada, o uso do medicamento na fase pré-clínica também é recomendado, pois retarda a progressão da doença e prolonga o período em que o animal permanece assintomático.

Entendendo as doenças
Segundo o médico-veterinário, a doença mixomatosa da valva mitral é a enfermidade cardíaca adquirida mais comum em cães, especialmente em raças de pequeno porte.
“Ela é caracterizada pela degeneração progressiva da valva mitral, levando ao seu espessamento e deformação, o que resulta em regurgitação mitral crônica”, afirma.
De acordo com o sistema de estadiamento proposto pelo American College of Veterinary Internal Medicine (ACVIM) em 2019, os animais com suspeita ou diagnóstico de DMVM são classificados em cinco estágios clínicos:
- Estágio A: inclui cães de raças com alto risco de desenvolver insuficiência cardíaca, mas sem nenhuma anormalidade estrutural aparente no momento do exame. Raças como Cavalier King Charles Spaniel, Dachshund e Poodle Toy são alguns exemplos das mais predispostas à doença, sendo automaticamente consideradas no estágio A;
- Estágio B1: animais com alterações auscultatórias, como sopro, mas com evidência sutil de remodelamento cardíaco, sendo assintomáticos;
- Estágio B2: pacientes com sopro e remodelamento cardíaco mais significativo, porém ainda assintomáticos;
- Estágio C: cães com sinais clínicos anteriores ou atuais de insuficiência cardíaca causados pela DMVM;
- Estágio D: casos refratários à terapia medicamentosa, com recidivas frequentes de sinais clínicos, exigindo ajustes terapêuticos contínuos.
Já nas raças de grande porte, a enfermidade cardíaca adquirida mais frequente é a cardiomiopatia dilatada, que compromete o músculo cardíaco, levando à dilatação das câmaras do coração e à diminuição da sua capacidade de contração.
“Ambas as condições apresentam caráter progressivo e tendem a evoluir para insuficiência cardíaca congestiva. Dessa forma, o objetivo das terapias cardíacas envolve reduzir a progressão da doença, mantendo o animal o máximo de tempo possível no estágio em que ele está. Porém, a partir da insuficiência cardíaca, a terapia é adaptada, envolvendo outros medicamentos além do pimobendan, com foco também para os diuréticos, como a furosemida, bem como cuidados e acompanhamento veterinário mais frequentes”, explica Kauê.
Logo, mesmo que a terapia não leve à cura, é possível, através dela, proporcionar um suporte às funções cardíacas para manter o bem-estar dos cães.

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