Um estudo sobre nutrição e manejo metabólico de cães com sobrepeso ou obesidade concluiu que a perda de peso em animais submetidos a um protocolo de restrição calórica moderada ocorre de forma equivalente, independentemente do tipo de alimentação oferecida.
Seja por meio de alimentos secos comerciais específicos para manejo de peso, dietas caseiras formuladas individualmente ou a combinação mista de ambos, os cães apresentaram uma redução média de aproximadamente 4,5% do peso corporal total.
Os pesquisadores destacaram que não foram identificadas diferenças estatisticamente significativas na evolução do peso entre os diferentes formatos de dieta.
O fator determinante para o emagrecimento foi a manutenção contínua do déficit energético ao longo do tempo. Esse achado reforça que a gestão precisa das calorias diárias — e não o tipo exclusivo de alimento — é o elemento central no tratamento da obesidade canina na prática clínica.
Metodologia realista e ritmo conservador de perda de peso
A investigação acompanhou 34 cães adultos com Escore de Condição Corporal (ECC) igual ou superior a 6, em uma escala de 9 pontos.
Para aproximar a pesquisa da rotina diária dos responsáveis, a escolha do tipo de dieta (ração seca comercial, comida caseira balanceada segundo as diretrizes da FEDIAF ou alimentação mista) coube às próprias famílias, respeitando a dinâmica e a viabilidade financeira de cada lar.
A quantidade inicial de calorias foi calculada a partir da necessidade energética em repouso de cada paciente e ajustada mensalmente ao longo de 104 dias. A abordagem utilizou uma restrição conservadora calculada sobre o peso atual do animal, resultando em um ritmo de emagrecimento de cerca de 0,37% por semana.
Segundo os cientistas, embora a perda seja mais lenta do que em protocolos agressivos, a metodologia representa uma estratégia segura e sustentável, desde que sejam descartadas endocrinopatias e doenças osteoarticulares prévias.

Efeitos metabólicos e o desafio no manejo de cães de pequeno porte
Durante o período do estudo, a maioria dos parâmetros sanguíneos manteve-se estável. Notou-se uma elevação progressiva nos níveis do colesterol HDL (“bom colesterol”) em todos os grupos analisados. Já as taxas de triglicérides apresentaram quedas significativas, reforçando os impactos positivos do controle calórico na saúde metabólica geral dos animais.
O levantamento alertou ainda para a complexidade do controle alimentar em cães de pequeno porte e toy. Devido ao menor gasto energético e à baixa taxa de atividade física dessas raças, a oferta eventual de petiscos, guloseimas ou sobras de refeições humanas pode ultrapassar facilmente a meta diária de calorias.
Os autores concluem ressaltando a necessidade de um acompanhamento veterinário individualizado para o fracionamento correto das porções e o ajuste periódico da dieta.
Fonte: Veterinária Atual, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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