Opções
Clínica e Nutrição

Medo extremo pode levar pets a reagirem com agressividade na clínica

Reconhecer sinais sutis de estresse e medo garante segurança no atendimento veterinário

Medo extremo pode levar pets a reagirem com agressividade na clínica
Por Cláudia Guimarães
30 de agosto de 2025

Diariamente, os médicos-veterinários lidam com diferentes comportamentos na clínica. Tem os pets que são fáceis de manejar e examinar, mas também há aqueles que, por medo ou agressividade, podem dificultar o atendimento. E, então, como lidar com isso?

A médica-veterinária e diretora Técnica do Hospital Veterinário, da Universidade de São Paulo (Hovet-USP), Khadine Kazue Kanayama, lembra que o estresse, medo e ansiedade dos pets podem ser iniciados muito antes da chegada ao consultório veterinário.

“Os animais podem desenvolver esses sintomas ainda na sua residência, ao observar o seu responsável manipular a caixa transporte, itens que o proprietário costuma levar às consultas. Isso se intensifica quando chega à clínica/hospital, associados ao contato visual com outras pessoas e outros animais, estímulos sonoros, estímulos olfativos com odores diferentes de outros animais e de outro ambiente”, sinaliza.

Assim, quando, de fato, entram no consultório, o paciente pode atingir seu nível máximo de estresse, demonstrando alguns comportamentos associados a medo extremo, assumindo comportamento protetivo e até agressividade.

“O médico-veterinário deve estar atento aos sinais que os pacientes podem demonstrar e, assim, realizar uma abordagem amigável e individual, com o objetivo de diminuir o comportamento protetivo”, orienta.

Para minimizar o medo é ideal que os médicos-veterinários tenham uma abordagem amigável (Foto: Reprodução)

Sinais de estresse

Segundo Khadine, os animais podem se manifestar de diferentes formas e mostrar alterações posturais, vocalizações e comportamentos específicos.

“As alterações posturais mais comuns em cães estão associadas à presença de tremores, cauda entre as pernas, corpo encolhido, pelos eriçados, salivação excessiva e pupilas dilatadas. Eles também evitam o contato visual direto, há bocejos frequentes, respiração ofegante, tentativas de fuga ou procuram se esconder próximo aos responsáveis”, descreve.

Já os gatos, de acordo com a profissional, podem se manifestar com orelhas abaixadas ou viradas para os lados, pupilas dilatadas, cauda enrolada ou encolhida, corpo retraído, pelos eriçados, movimentos lentos e cautelosos e comportamento de esconderijo.

“Não necessariamente vão manifestar todos os sintomas, mas podem, ainda, apresentar vocalização. Os cães podem rosnar, uivar, latir e mostrar os dentes. Os gatos podem rosnar, miar alto, sibilar e chiarem. Em situações de medo extremo, alguns animais podem apresentar comportamentos específicos como comportamento defensivo e avançar para arranhar e morder”, alerta.

Pet medroso ou, realmente, hostil?

Khadine explica que a diferenciação entre agressividade por medo e comportamento hostil é sutil e deve ser reconhecida pelo médico-veterinário por meio da linguagem corporal e do contexto.

  • Agressividade por medo: surge quando o animal se sente ameaçado, com sinais como orelhas para trás, corpo encolhido, cauda entre as pernas, evitação de contato visual e rosnados de alerta.
  • Comportamento hostil: geralmente relacionado à dominância ou agressão intencional, com orelhas eretas, corpo rígido, pelos arrepiados, cauda ereta, olhar fixo, dentes à mostra, rosnados fortes e tentativas de ataque.

“Reconhecer essa diferença é essencial para garantir a segurança do paciente e do profissional”, destaca.

A profissional menciona a importância de os médicos-veterinários estarem atualizados para identificar um paciente que apresenta comportamento compatível com estresse intenso e, da mesma maneira, devem estar preparados para que realizem uma melhor abordagem possível, com a finalidade de diminuir o estresse e garantir a segurança do paciente, responsável do animal e dos profissionais envolvidos.

Ela comenta que, para isso, algumas medidas podem ser tomadas, como promover o bem-estar dos pacientes para evitar experiências negativas.

“Ao identificar um animal em estado de estresse intenso, o veterinário deve priorizar a estabilização e segurança do animal, seguida de uma avaliação cuidadosa para determinar a causa do estresse e estabelecer um plano de tratamento adequado. É importantíssimo manter a calma e suavidade, deixar o ambiente confortável, seguro e ser ágil nas ações. Em alguns casos, faz-se necessário o uso de sedação para facilitar os procedimentos e manejo do paciente. Promover mínima manipulação, examinar o paciente de maneira cuidadosa de acordo com que ele permite, evitando procedimentos dolorosos. Em casos de dor, a analgesia deve ser realizada antes da manipulação”, elenca.

Os médicos-veterinários devem saber reconhecer os sinais de medo e estresse nos pets (Foto: Reprodução)

Como o tutor pode ajudar no processo?

Como mencionado por Khadine, muitos tutores postergam a visita ao veterinário por más experiências anteriores ou pelo receio de possíveis situações desconfortáveis que seu animal de estimação possa passar. Assim, a saúde do animal fica desassitida por muito tempo, o que é um problema.

Para que isso seja evitado, segundo ela, o profissional deve orientar o responsável do paciente para que realize medidas para minimizar o estresse, como adquirir uma caixa transporte com abertura na parte de cima para facilitar a manipulação do veterinário.

“Essa caixa deve ficar sempre aberta e disponível no ambiente domiciliar, com algum petisco ou brinquedo, para que o animal possa entrar e sair quando quiser e se sentir seguro. Se utilizada apenas para o transporte ao veterinário, o animal vai fazer essa associação e o estresse se inicia quando ele é colocado dentro da caixa ainda em casa”, reitera e compartilha mais algumas dicas:

  • Levar toalhas e mantas com o cheiro conhecido (dentro da caixa transporte e do lado de fora) para cobrir a caixa e evitar o contato visual com outros animais);
  • Nos gatos, utilizar feromônios em spray nas cobertas;
  • Utilizar coleiras peitorais que são mais confortáveis;
  • Se possível, levar petiscos e alimentos que o animal goste como reforço positivo;
  • Demonstrar empatia, apoio, amor e carinho com o animal.

Aos médicos-veterinários e equipe, Khadine destaca que os pacientes devem ser manipulados com amor, carinho e respeito, assim como os responsáveis devem receber acolhimento e orientações claras a respeito da condição clínica do paciente, expectativas e orientações sobre qualidade de vida.

FAQ sobre o medo dos pets na clínica

Por que alguns pets ficam agressivos no consultório veterinário?

O medo, o estresse e a ansiedade podem começar antes mesmo da chegada à clínica, com a manipulação da caixa de transporte ou pela associação com experiências negativas anteriores. Isso pode levar o animal a adotar comportamentos defensivos ou agressivos durante a consulta.

Como diferenciar um pet medroso de um realmente hostil?

O pet com medo tende a se encolher, evitar contato visual e mostrar sinais de insegurança. Já o comportamento hostil é mais rígido, com olhar fixo, corpo ereto e tentativas diretas de ataque. O contexto e a linguagem corporal ajudam o veterinário a identificar a diferença.

O que o tutor pode fazer para ajudar a reduzir o estresse do pet?

Deixar a caixa de transporte disponível em casa como parte do ambiente, usar cobertas com cheiros familiares, aplicar feromônios em gatos, evitar ruídos intensos, usar coleiras confortáveis e oferecer petiscos como reforço positivo são atitudes que ajudam bastante.