O mês de novembro marca o Mês de Conscientização sobre o Peixe-Boi, mobilização global voltada à preservação dos mamíferos aquáticos e dos ecossistemas em que habitam.
Instituída originalmente em 1979 pelo governo da Flórida (EUA) e impulsionada por organizações conservacionistas como o Save the Manatee Club, a iniciativa coloca em evidência a vulnerabilidade dos animais frente à degradação ambiental e à pressão antrópica.
Herbívoros e de comportamento pacífico, os peixes-bois passam longos períodos pastando vegetações aquáticas em águas rasas, necessitando subir periodicamente à superfície para respirar.
Esse hábito alimentar os torna reguladores fundamentais da dinâmica hídrica e da ciclagem de nutrientes nos ecossistemas litorâneos e fluviais. Atualmente, todas as três espécies existentes no planeta figuram como vulneráveis à extinção na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
Distribuição global e espécies no Brasil
A diversidade do grupo divide-se em três linhagens geográficas distintas:
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Peixe-boi-marinho (Trichechus manatus): Encontrado na costa do Caribe e em regiões litorâneas das Américas. No Brasil, onde sua distribuição histórica foi severamente fragmentada, a espécie é classificada formalmente como “em perigo de extinção” pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio);
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Peixe-boi-da-Amazônia (Trichechus inunguis): Espécie endêmica de água doce que habita exclusivamente a bacia amazônica;
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Peixe-boi-africano (Trichechus senegalensis): Ocupa rios, zonas estuarinas e áreas costeiras da África Ocidental.

Ameaças antrópicas e conservação de habitats
A sobrevivência dos peixes-bois é impactada por diferentes fatores em cada região do globo.
Na Flórida, onde levantamentos estaduais estimaram cerca de 9.790 indivíduos entre 2021 e 2022, o atropelamento por embarcações a motor, a perda de fontes de água quente essenciais para a termorregulação e a escassez de pastos aquáticos representam as principais causas de morte e ferimentos graves.
No território brasileiro, o peixe-boi-da-Amazônia enfrenta a pressão da caça ilegal, o enredamento acidental em redes de pesca, os impactos da contaminação pelo garimpo e o assoreamento dos cursos d’água. Já a população marinha no litoral sofre com a destruição de manguezais, o descarte de resíduos, a poluição costeira e as colisões náuticas.
O fortalecimento das medidas de fiscalização, a conservação das bacias hidrográficas e o respeito às normas de tráfego de embarcações em áreas berçário são apontados por biólogos e médicos-veterinários como pilares indispensáveis para a sustentabilidade e a reprodução desses mamíferos na natureza.
Fonte: ANDA, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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