A cor do nariz dos cães e gatos pode mudar ao longo da vida, despertando dúvidas nos responsáveis.
Em muitos casos, a alteração está relacionada a fatores naturais, como genética, envelhecimento e variações sazonais. No entanto, a despigmentação também pode estar associada a doenças dermatológicas e outras condições que precisam de avaliação veterinária.
Segundo a médica-veterinária Mayara de Oliveira Souza, pós-graduanda em Dermatologia Veterinária, responsável técnica e proprietária do pet shop Latidos e Miados, em São João da Boa Vista (SP), a mudança de cor é relativamente comum em cães e gatos.
“Na grande maioria dos casos, essas alterações são benignas, temporárias ou ligadas à genética e ao envelhecimento”, explica.
O que pode fazer o nariz dos pets mudar de cor?
A pigmentação nasal depende da melanina, substância produzida por células chamadas melanócitos. Ao longo da vida, a atividade dessas células pode diminuir, provocando alterações na coloração do nariz. A genética também influencia esse processo, assim como as características da pelagem e as condições ambientais.
De acordo com Mayara, animais com pelos claros ou tonalidades mais diluídas podem apresentar maior predisposição à perda de pigmentação. A idade também pode contribuir para o clareamento gradual da região.
O clima e a luminosidade são outros fatores importantes. Em determinadas situações, a diminuição da pigmentação ocorre de forma sazonal, sem que isso represente necessariamente um problema de saúde.
Uma das alterações naturais de pigmentação é conhecida como nariz de neve ou snow nose. O fenômeno é caracterizado pelo clareamento temporário do nariz, que pode passar de uma tonalidade escura para tons rosados ou amarronzados, especialmente durante os meses mais frios.
“É a perda temporária de pigmento no espelho nasal durante os meses mais frios e com menor incidência de luz solar, fazendo o nariz escuro ficar rosado ou marrom”, esclarece a médica-veterinária.
O fenômeno está relacionado a mudanças na atividade da tirosinase, enzima envolvida na produção de melanina. A temperatura e a luminosidade podem influenciar esse processo, favorecendo a redução da pigmentação em determinadas épocas do ano.
Em alguns animais, a cor retorna parcialmente ou por completo quando as condições ambientais mudam. Entretanto, nem toda despigmentação sazonal tem a mesma evolução, e a avaliação veterinária é importante quando há dúvidas sobre a origem da alteração.

Quais doenças podem provocar despigmentação nasal?
Embora muitas mudanças sejam benignas, a perda de pigmentação também pode estar associada a doenças autoimunes, vitiligo, infecções parasitárias, alergias, dermatites solares e neoplasias.
Nessas situações, observar apenas a cor não é suficiente para determinar a causa. A aparência e a textura da região, a velocidade de evolução da alteração e a presença de outros sintomas ajudam a orientar a investigação clínica.
Conforme diz Mayara, a principal diferença entre uma mudança natural de pigmentação e uma alteração que pode indicar doença está na preservação da estrutura nasal.
“A mudança natural é apenas de cor. A textura em ‘paralelepípedo’ (arquitetura nasal) continua intacta”, pontua.
A perda do relevo natural, o aparecimento de erosões, úlceras, crostas, descamação, vermelhidão ou sangramento são sinais que merecem atenção. Coceira, dor ao toque e lesões que se estendem para a ponte nasal, os lábios ou a região dos olhos também justificam avaliação médica-veterinária.
A despigmentação nasal pode ser permanente?
A possibilidade de recuperação da pigmentação depende da causa. Nos casos de nariz de neve, a coloração costuma retornar conforme as condições ambientais mudam. Algumas alterações superficiais também podem apresentar recuperação, dependendo da extensão do dano.
Por outro lado, quando há destruição dos melanócitos, como pode ocorrer em doenças autoimunes graves, queimaduras profundas ou processos associados ao envelhecimento, a perda de pigmentação pode ser irreversível.
Por isso, não é recomendado presumir que toda mudança de cor seja passageira. A evolução do quadro e a identificação da causa são fundamentais para definir a conduta adequada.
A melanina contribui para a proteção da pele contra a radiação ultravioleta. Por isso, regiões despigmentadas podem ficar mais suscetíveis a queimaduras e danos provocados pelo sol.
Em casos de maior sensibilidade, a exposição solar excessiva também pode favorecer o desenvolvimento de lesões pré-cancerosas e neoplasias, como o carcinoma de células escamosas.
Para reduzir os riscos, é importante evitar a exposição direta ao sol nos horários de maior intensidade, especialmente entre 10h e 16h, e buscar orientação veterinária sobre medidas de fotoproteção adequadas a cada animal.
O uso de protetor solar deve ser orientado por um médico-veterinário, considerando a espécie, a região de aplicação e a segurança dos ingredientes. Produtos destinados ao uso humano não devem ser utilizados automaticamente nos pets, pois algumas formulações podem conter substâncias inadequadas caso sejam ingeridas durante a lambedura.

Quando procurar um médico-veterinário?
A avaliação profissional é recomendada quando a mudança de cor acontece rapidamente, progride sem relação aparente com a estação do ano ou vem acompanhada de alterações na superfície nasal.
Feridas, crostas, sangramento, dor e perda do relevo característico do nariz são sinais que não devem ser ignorados. Mesmo quando não há desconforto evidente, uma alteração persistente ou sem causa conhecida merece investigação.
“Ao notar perda de arquitetura nasal, aparecimento de feridas, crostas, sangramento, dor ou se a despigmentação evoluir de forma muito rápida e sem relação com a troca de estação”, orienta Mayara, é importante procurar atendimento veterinário.
A observação frequente do nariz ajuda os responsáveis a identificar mudanças e buscar atendimento quando necessário. Mais do que a cor isoladamente, a integridade da pele, a presença de lesões e a evolução da alteração são aspectos fundamentais para avaliar a saúde da região.

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