Criado em 2013 para transformar as águas territoriais e a Zona Econômica Exclusiva uruguaia em um refúgio de proteção permanente, o Santuário de Baleias e Golfinhos do Uruguai enfrenta um grave conflito ambiental.
Treze anos após o decreto de conservação, a área marinha destinada à reprodução e alimentação de cetáceos no Atlântico Sul passou a ser sobreposta por atividades de exploração de combustíveis fósseis em alto-mar.
O projeto denominado Levantamento Sísmico 3D Charrúa concluiu sua primeira fase em março de 2026 e tem nova etapa agendada para novembro.
A operação utiliza embarcações especializadas que disparam repetidamente jatos de ar comprimido de alta pressão contra o assoalho oceânico. O objetivo da tecnologia é mapear estruturas geológicas profundas para identificar potenciais reservas de petróleo e gás natural.
Poluição sonora compromete comunicação e navegação dos mamíferos marinhos
A introdução contínua de ruídos antropogênicos de alta intensidade provoca alterações profundas no ecossistema marinho. Para espécies como baleias e golfinhos, a percepção acústica é o principal sentido utilizado para navegação, localização de presas, reprodução e manutenção do vínculo entre mães e filhotes.
A emissão dos disparos de ar comprimido interfere diretamente na orientação dos animais, podendo forçar o deslocamento de populações inteiras para fora de suas zonas habituais de alimentação e descanso.
Além dos desvios rotineiros de migração, biólogos e pesquisadores alertam que a exposição ao ruído contínuo pode desencadear quadros severos de estresse fisiológico e lesões no sistema auditivo dos mamíferos.

Cobrança por medidas efetivas de conservação no Atlântico Sul
A realização de pesquisas de impacto geológico dentro dos limites da reserva reacendeu o debate sobre a efetividade das leis de proteção ambiental na região. Organizações de defesa da vida marinha apontam que a concessão de licenças para a indústria petrolífera invalida os objetivos primordiais estipulados na criação do santuário.
A continuidade dos testes sísmicos coloca em xeque os compromissos internacionais assumidos pelo Uruguai para a preservação da biodiversidade do Atlântico Sul, exigindo um alinhamento rígido entre a legislação de proteção e as autorizações concedidas a empreendimentos energéticos em águas territoriais.
Fonte: ANDA, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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