A nutrição personalizada tem ganhado cada vez mais espaço na prática clínica veterinária. Durante a SACAVET, a médica-veterinária Dra. Vivan Pedrinelli apresentou os principais conceitos por trás da individualização alimentar, destacando que uma dieta adequada vai muito além de escolher um alimento completo.
“Quando a gente fala em alimentação adequada, não é só nutriente. A gente precisa considerar energia, digestibilidade e aceitação. Não adianta ter tudo certo no papel se o animal não come ou se aquela dieta não está ajustada para a necessidade dele”, explicou.
Individualização começa pelo paciente
O primeiro passo para personalizar a dieta é entender o paciente como indivíduo. Espécie, raça, idade, estado fisiológico, presença de doenças e estilo de vida são fatores determinantes.
“Quando a gente individualiza, a gente deixa de tratar uma população e passa a tratar aquele animal específico. Dois pacientes iguais no papel podem ter necessidades completamente diferentes na prática”, destacou.
Estilo de vida impacta diretamente a necessidade energética
Um dos pontos mais relevantes abordados foi a influência do estilo de vida na necessidade calórica. Animais com menor atividade física ou castrados tendem a precisar de menos energia.
“Às vezes o responsável tem dois cães iguais e oferece a mesma quantidade de alimento para os dois. Mas um passeia, o outro não; um é castrado, o outro não. Isso muda completamente a necessidade energética”, explicou.
Esse cenário pode levar ao ganho de peso em um paciente e perda em outro, mesmo com a mesma dieta.

Relação entre energia e nutrientes exige atenção
A redução da ingestão calórica pode impactar diretamente o consumo de nutrientes. Isso significa que nem sempre o mesmo alimento atende pacientes com necessidades energéticas diferentes.
Segundo a especialista, é essencial avaliar se a quantidade oferecida garante o aporte nutricional adequado, principalmente em animais que consomem menos alimento.
Estratégias para melhorar saciedade e aceitação
Na prática clínica, dois desafios frequentes são a saciedade e a aceitação alimentar. Animais com baixa necessidade energética costumam apresentar maior apetite, enquanto outros são seletivos.
O mix feeding surge como uma estratégia interessante nesses casos, combinando alimentos secos e úmidos.
“O mix feeding pode aumentar o volume da dieta e melhorar a ingestão hídrica, especialmente em gatos. Mas ele precisa ser calculado corretamente. A divisão tem que ser feita em calorias, não em gramas”, explicou.
Dieta caseira amplia possibilidades, mas exige cuidado
A alimentação caseira permite maior controle sobre ingredientes e nutrientes, sendo especialmente útil em casos mais complexos.
No entanto, a especialista alertou que pequenas alterações podem comprometer o equilíbrio da dieta. “Não é só trocar ingrediente na mesma quantidade. Isso muda completamente o perfil nutricional e pode gerar deficiência ou excesso de nutrientes”, destacou.
Adesão do responsável é fator decisivo
Por fim, a palestrante reforçou que o sucesso da estratégia depende da adesão do responsável. Questões como custo, rotina e praticidade devem ser consideradas na prescrição.
“A melhor dieta é aquela que o responsável consegue manter e que o animal aceita. Não adianta ser perfeita no papel e não funcionar no dia a dia”, concluiu.

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