O segmento de alimentos úmidos para pets segue em forte crescimento, impulsionado principalmente pelas categorias de produtos frescos, cozidos e crus. Porém, esse avanço também traz desafios importantes relacionados à segurança alimentar e à vida útil dos produtos.
Segundo Jasmine Kataria, cientista sênior de P&D da Kerry, alimentos com alta umidade — geralmente acima de 60% — oferecem condições favoráveis para a proliferação de microrganismos deteriorantes, especialmente bactérias ácido-láticas. Isso pode provocar odores desagradáveis, produção de gases e alterações de textura, comprometendo a qualidade do produto.
Além disso, esses alimentos dependem fortemente da cadeia de refrigeração ou congelamento para manter estabilidade e segurança até o consumo. Outro desafio é a curta vida útil, normalmente entre sete e 21 dias, o que aumenta a pressão sobre produção, distribuição e varejo.
Para solucionar esses problemas pode ser realizado o congelamento, que ajuda a prolongar a conservação, mas também eleva os custos logísticos e a complexidade operacional.
Riscos microbiológicos preocupam indústria
Dietas cruas para pets frequentemente apresentam risco de contaminação por patógenos como Salmonella, Listeria e E. coli. Já os produtos frescos cozidos podem sofrer contaminação após o processamento. Há também possibilidade de contaminação cruzada durante o preparo e o fornecimento do alimento, envolvendo utensílios, superfícies e até as mãos dos responsáveis.
De acordo com a profissional, casos de recall relacionados a esses microrganismos podem causar prejuízos financeiros, danos à reputação das marcas e riscos à saúde animal.
Nesse cenário, as estratégias de preservação microbiológica tornam-se fundamentais para ampliar a segurança dos alimentos, aumentar a vida útil dos produtos e proteger a integridade das marcas.

Soluções baseadas em ingredientes ganham relevância
Tradicionalmente, a conservação de alimentos úmidos depende de tecnologias como processamento por alta pressão (HPP) e tratamentos térmicos. No entanto, Kataria comenta que essas abordagens podem exigir alto consumo de recursos e nem sempre são suficientes isoladamente.
Por isso, cresce o interesse por soluções baseadas em ingredientes capazes de complementar os processos industriais e oferecer melhor controle microbiológico, menor impacto ambiental e maior palatabilidade.
Entre as alternativas citadas estão técnicas de fermentação por peptídeos e outras soluções consideradas mais alinhadas às expectativas do consumidor moderno, que busca transparência, simplicidade e ingredientes reconhecíveis nos rótulos.
Consumidor busca transparência e segurança
Dados de uma pesquisa realizada em 2021 mostram que 90% dos responsáveis por pets consideram importante ler os rótulos antes de comprar alimentos ou petiscos para seus animais de estimação. Além disso, 86% afirmam ter maior probabilidade de adquirir produtos cujos ingredientes sejam facilmente reconhecidos.
O estudo também revelou que um em cada três consumidores estaria disposto a pagar até 25% mais por alimentos formulados apenas com ingredientes conhecidos.
A segurança alimentar também aparece entre as principais preocupações dos responsáveis. Segundo o levantamento, 82% demonstram preocupação com a segurança do alimento oferecido aos pets, enquanto o desperdício causado pelo vencimento dos produtos afeta especialmente consumidores de alimentos úmidos e frescos.
Para Kataria, o conceito de preservação “consumer-friendly” vai além do clean label. A tendência envolve transparência, alinhamento aos valores do consumidor e entrega de benefícios funcionais sem depender excessivamente de aditivos sintéticos.

Fonte: Pet Food Industry, adaptado pela equipe Cães&Gatos.
FAQ sobre as técnicas de conservação no pet food
Por que alimentos úmidos para pets exigem mais cuidados de conservação?
Porque possuem alta umidade, o que favorece a proliferação de microrganismos e reduz a vida útil dos produtos.
Quais são os principais riscos microbiológicos nesses alimentos?
Os mais comuns são contaminações por Salmonella, Listeria e E. coli, além da deterioração causada por bactérias ácido-láticas.
O que os consumidores buscam nos alimentos para pets atualmente?
Ingredientes reconhecíveis, transparência nos rótulos, segurança alimentar e menos aditivos sintéticos.
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