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Você conhece todas as funções desempenhadas pelos bigodes dos pets?

O que, muitas vezes, achamos “fofo” nos animais de estimação não está ali apenas para compor uma estética, junto com a cor e espessura da pelagem, por exemplo, e que chama atenção dos humanos na hora de adotar um animal. No caso dos bigodes dos pets, existe uma justificativa fisiológica para eles estarem ali.

Você conhece todas as funções desempenhadas pelos bigodes dos pets?
Por Cláudia Guimarães
22 de março de 2023
Última atualização: 23/01/2025 - 10:22

O que, muitas vezes, achamos “fofo” nos animais de estimação não está ali apenas para compor uma estética, junto com a cor e espessura da pelagem, por exemplo, e que chama atenção dos humanos na hora de adotar um animal. No caso dos bigodes dos pets, existe uma justificativa fisiológica para eles estarem ali.

A médica-veterinária especializada em felinos e responsável técnica do Estylo Pet (Rio de Janeiro-RJ), Vivian dos Santos Baptista, explica que os bigodes dos animais funcionam como órgãos sensoriais. “Os pelos são mais longos e grossos com o intuito de captar características do ambiente. No caso dos gatos, são ainda mais importantes e nunca devem ser cortados”, sinaliza.

Isso porque, segundo a profissional, o bigode de gato é extremamente importante e cumpre diversas funções fundamentais para a vida dos felinos domésticos. “Cortar os bigodes dos felinos afetaria profundamente o bem-estar do animal. Vale lembrar que os bigodes do gato fazem parte do sentido tátil do animal”, expõe.

Mas será que os bigodes têm funções diferentes entre os cães e os gatos? O médico-veterinário Lucas Alexandre dos Santos Silva atesta que a função dos bigodes é a mesma dentre as diferentes espécies. “A única alteração será no seu comprimento, coloração ou aspecto, mas o principal fator sensorial permanece”, elucida.

Apesar disso, Vivian destaca que, nos gatos, é como se os bigodes desempenhassem algumas funções extras. “Ajudam na visão de curta distância, permitem a exploração do ambiente e proteção contra o perigo, protegem os olhos, permitem a medição do espaço e mantêm o equilíbrio”, adiciona.

Nos gatos, os bigodes ajudam na visão de curta distância, permitem a exploração do ambiente e proteção contra o perigo e protegem os olhos (Foto: reprodução)

Mas, como cães e gatos não são os únicos animais mantidos como pets, também investigamos a temática em outras espécies. A médica-veterinária que atende exclusivamente animais silvestres, exóticos e peixes, Erika Midori Kida Hayashi, declara que, em ratos e hamsters, há diversas localizações faciais que permitem a detecção espacial, identificação de objetos, ou seja, sentido tátil. “Diferente de gatos que possuem vibrissas carpais na parte inferior da perna e logo acima das patas, servindo para detecção de alguns insetos em movimento, nos ratos, os bigodes podem auxiliar no comportamento social da espécie”, revela.

Camundongos, gerbil, hamster, rato e preás ou porquinhos-da-índia possuem, de acordo com a profissional, nos folículos das vibrissas, células nervosas, dando uma resposta sensorial. “A chinchila possui um comprimento de bigode que pode chegar a 1/3 do tamanho do seu corpo, sendo que ela é um animal noturno, permitindo melhor detecção espacial. Os ratos, camundongos, gerbos, chinchilas e hamsters podem ter suas macrovibrissas que se movem, diferente de cães e gatos”, compara.

Erika ainda adiciona que, no caso desses animais, eles podem ter dificuldades, caso os bigodes sejam aparados, em localizar alimentos e localização espacial, principalmente ao anoitecer, quando sua visão pode ser reduzida.

Problemas no bigode

Lucas Silva compartilha que não existe uma patologia específica em si relacionada ao bigode dos animais: “Mas existem doenças que podem afetar diretamente essa percepção sensorial. Animais com problemas neurológicos, dermatológicos ou, até mesmo, de obesidade, podem sofrer distúrbios quanto ao fator sensorial neurológico”, indica. 

Portanto, o tutor deve ficar atento à aparência do bigode, assim como com pelo caindo em excesso, se as vibrissas quebram com facilidade ou caem sem que haja um motivo para isso, como a troca natural dos pelos. “Vale a pena consultar o veterinário de confiança, pois isso pode ser indício de um desbalanço nutricional no pet”, observa.

A veterinária Erika explica que as dermatopatias (sarnas) podem afetar o folículo das vibrissas e gerar danos, como queda dos bigodes. “Os animais mais comumente afetados por essas doenças (sarna psoróptica, queiletielose, demodicose, escabiose, notoédrica e trixacaríase mais comuns em coelhos e roedores (porquinho-da-índia), por alguns ácaros parasitas da família Mycoptidae, Myobidae, Psosergatidaee Dermanyssidae ou até fungos (dermatófito) que afetam a saúde da pele”, discorre.

Chinchilas também, segundo ela, podem ser acometidas pelo mesmo agente fúngico. “É importante cuidar da saúde do pet, pois, geralmente, essas doenças causam desconforto devido a prurido (coceira), podendo gerar lesões, como feridas, e, em casos mais graves, até infecção bacteriana secundária. O médico-veterinário especializado em animais silvestres e exóticos cuida da saúde do animal e previne as pessoas de também serem acometidas por algumas doenças, como o dermatofitose”, menciona.

Na visão de Lucas Silva, a conscientização para com a sociedade sobre a importância em manter os bigodes dos animais é de suma importância, já que auxilia diretamente na saúde e bem-estar dos indivíduos. “Além de nos levar ao questionamento principal de que ‘estética’, não necessariamente, signifique saúde. A preservação de características naturais de cada espécie deve ser respeitada”, enfatiza.

Como curiosidade, Erika cita algumas peculiaridades dos bigodes de outras espécies animais: “Pássaros podem ter penas semelhantes a pelos ao redor da base do bico, podendo ser chamado de bigode, em alguns casos; peixes, como barbilhões, carpas, bagres e peixe zebra, podem ter órgãos táteis delgados e pendentes perto da boca, sendo denominado de bigodes”.