Uma ação de conservação marinha devolveu à natureza nove pinguins-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) e um lobo-marinho-sul-americano (Arctocephalus australis) na última sexta-feira (9).
Os dez animais haviam sido resgatados debilitados em diferentes pontos do litoral norte de São Paulo ao longo do ano e passaram por tratamento veterinário completo até estarem aptos para a soltura, realizada a 93 quilômetros da costa de Ubatuba.
A operação foi conduzida pelo Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha, como parte das ações do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).
Durante a reabilitação, as aves e o mamífero marinho receberam suporte nutricional, tratamento clínico e acompanhamento comportamental para restabelecer o peso e as condições físicas ideais para a vida em alto-mar.
Migração anual expõe animais jovens a riscos no Atlântico
Os pinguins-de-Magalhães migram anualmente das colônias de reprodução no sul da Argentina, Chile e Ilhas Malvinas em direção ao norte, em busca de alimento no Atlântico.
Durante os meses de outono e inverno, é comum que indivíduos cheguem às praias das regiões Sul e Sudeste do Brasil. Muitos deles são jovens em sua primeira jornada migratória e acabam encalhando por exaustão, desnutrição, desidratação ou ferimentos causados por poluição, plásticos e redes de pesca.
Processo semelhante ocorre com o lobo-marinho-sul-americano. Originário de colônias reprodutivas no Uruguai e na Argentina, o mamífero eventualmente alcança a costa paulista ao se afastar de suas rotas habituais de alimentação em períodos mais frios.
“O trabalho de resgate e tratamento permite que espécimes vulneráveis tenham uma segunda chance, embora a soltura não elimine totalmente os desafios que eles continuarão enfrentando em oceano aberto”, destacam os especialistas do Instituto Argonauta, instituição que atua há 28 anos na região em parceria com o Aquário de Ubatuba.

Orientações sobre o que fazer ao avistar fauna marinha nas praias
Especialistas alertam que a simples presença de pinguins ou lobos-marinhos na areia não significa, obrigatoriamente, que o animal esteja doente ou precise de resgate, pois muitos apenas desembarcam para descansar.
Caso o animal apresente ferimentos, magreza excessiva ou letargia, a orientação é não se aproximar, não tentar alimentá-lo e jamais forçá-lo a voltar para a água. No litoral norte paulista (Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela), o acionamento do resgate especializado deve ser feito pelo telefone 0800 642 3341.
A iniciativa integra o PMP-BS, exigência do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Ibama para as operações da Petrobras na Bacia de Santos, executado na região pelo Instituto Argonauta sob coordenação técnica da Mineral Engenharia e Meio Ambiente.
Fonte: ANDA, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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