O Parlamento da Catalunha deu um passo decisivo em direção à proteção animal e à biossegurança ao aprovar uma proposta de resolução que cobra do Governo local a proibição definitiva da criação de animais destinados à produção de peles.
A iniciativa também prevê o bloqueio imediato para a concessão de licenças de novas instalações da atividade, posicionando a comunidade autônoma como pioneira na Espanha no combate a esse modelo produtivo.
Embora a Catalunha não possua explorações de peles em atividade no momento — ao contrário de regiões como a Galícia, com 21 unidades operacionais, e a Comunidade Valenciana, com uma —, o posicionamento dos parlamentares estabelece uma diretriz de prevenção a riscos sanitários e de defesa dos direitos animais.
Ameaça à saúde pública e histórico de zoonoses
O texto aprovado fundamenta o veto nos severos impactos sobre a saúde pública. A resolução alerta para o potencial dessas explorações atuarem como amplificadoras de agentes patogênicos e vetores de novas variantes virais.
Entre dezembro de 2020 e outubro de 2021, a Espanha enfrentou 18 surtos de SARS-CoV-2 em criações de peles, além de ter registrado, em outubro de 2022, o primeiro surto de gripe aviária de alta patogenicidade nesse tipo de ambiente.

A argumentação traz ainda o respaldo da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA). Um parecer técnico publicado pelo órgão em 2025 classificou as instalações de peles na União Europeia como ambientes de alto risco epidemiológico devido ao confinamento prolongado, à alta densidade populacional e à vulnerabilidade dos animais a vírus respiratórios.
O documento ressalta que problemas graves de bem-estar — como restrição motora, automutilação, lesões e estereotipias — são inerentes ao sistema de gaiolas e não podem ser mitigados.
Impactos ambientais e alinhamento com a Medicina Veterinária
A proposta catalã aborda também os prejuízos ecológicos provocados por fugas ou solturas acidentais de espécies criadas para a indústria da moda.
Nas províncias de Girona e Barcelona, episódios passados contribuíram para o estabelecimento de espécies exóticas invasoras em ecossistemas aquáticos, ameaçando a fauna autóctone e impactando atividades econômicas regionais.
A movimentação política na Catalunha reflete uma demanda crescente da própria comunidade científica.
Em 2025, organizações representativas de mais de 330 mil médicos-veterinários defenderam publicamente a eliminação gradual da criação de animais para pele em toda a Europa, bem como a proibição da importação do produto de outros países, declarando a prática incompatível com os preceitos éticos da profissão e do bem-estar animal.
Fonte: Veterinária Atual, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar.