O hiperparatireoidismo secundário nutricional (HPSN), também conhecido como osteodistrofia fibrosa, é uma enfermidade metabólica grave e relativamente comum na rotina clínica de cães e gatos.
Para explicar os principais pontos sobre o tema, conversamos com a médica-veterinária Luciana Oliveira, mestre e doutora em nutrição de cães e gatos pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Jaboticabal, e integrante do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal Pet (CBA PET) e da Sociedade Brasileira de Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos (SBNutripet).
“O HPSN ocorre quando há deficiência de cálcio e/ou excesso de fósforo na dieta. Essa falta leva à ativação do paratormônio, que retira cálcio dos ossos para manter os níveis sanguíneos, causando descalcificação progressiva do esqueleto. A desmineralização costuma se iniciar pelos ossos da cabeça, mas pode evoluir e comprometer todo o corpo do animal”, explica Luciana.
A especialista também afirma que o uso de dietas caseiras desbalanceadas, a falta de suplementação correta e a alimentação baseada exclusivamente em carnes e vísceras estão entre as causas frequentes da enfermidade.
“Também é comum quando há associação de ração com outros alimentos sem orientação profissional”, destaca a doutora.
Quando falamos dos sinais clínicos do HPSN, eles estão diretamente relacionados à perda de densidade óssea e podem afetar significativamente a qualidade de vida do cachorro e do gato.
“Os pacientes podem apresentar dor intensa, dificuldade de locomoção e de mastigação, claudicação e fraturas patológicas, que acontecem devido à fragilidade óssea, muitas vezes sem histórico de trauma. Em casos mais avançados, a desmineralização pode afetar a região facial”, explica a médica-veterinária.

Análise e abordagem terapêutica
De acordo com Luciana, o diagnóstico do hiperparatireoidismo secundário nutricional deve considerar, principalmente, o histórico alimentar do animal, com atenção especial ao uso prolongado de dietas caseiras sem orientação e suplementação adequada.
A avaliação deve incluir exames laboratoriais para dosagem de fósforo, cálcio total, cálcio ionizado, vitamina D3 e paratormônio, além de radiografia de crânio.
“Esses exames permitem identificar alterações metabólicas e evidenciar o grau de comprometimento ósseo, auxiliando na confirmação do quadro”, diz a especialista.
Como a única forma eficaz de reverter o problema é corrigir a dieta, o responsável deve garantir que a alimentação ocorra de forma completa e balanceada, seja com ração de boa qualidade ou com alimento natural formulado por profissional capacitado e com suplementação adequada.
“A introdução isolada de suplementos, sem ajuste da dieta como um todo, não é recomendada e pode comprometer o tratamento. O equilíbrio entre cálcio e fósforo precisa considerar todos os alimentos oferecidos. Corrigir apenas um nutriente, sem avaliar o conjunto da dieta, é um erro importante”, alerta a doutora.
Além disso, a médica-veterinária afirma que os cuidadores não devem montar dietas por conta própria ou com base em conteúdos da internet, pois, na maioria das vezes, essas formulações não são corretas e podem levar a doenças graves.

FAQ sobre hiperparatireoidismo secundário nutricional em cães e gatos
O que causa o HPSN em animais?
A doença é ocasionada por desequilíbrios na dieta, principalmente deficiência de cálcio, excesso de fósforo ou relação inadequada entre esses nutrientes.
Quais são os principais sinais clínicos da enfermidade?
Os pacientes podem apresentar dor óssea, dificuldade de locomoção, claudicação e fraturas espontâneas.
Como é feito o tratamento do hiperparatireoidismo secundário nutricional?
O tratamento consiste na correção completa da dieta, garantindo que ela seja balanceada, seja com ração de qualidade ou alimentação natural orientada por profissional capacitado.

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