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Origem do cão influencia saúde ao longo da vida, aponta estudo internacional

Pesquisa revela que práticas inadequadas na adoção aumentam risco de doenças, mesmo após integração em lares adequados

Origem do cão influencia saúde ao longo da vida, aponta estudo internacional
Por Equipe Cães&Gatos
13 de abril de 2026

A forma como um cão é adquirido pode impactar diretamente sua saúde futura. É o que indica um estudo conduzido pelo Royal Veterinary College (RVC), no Reino Unido, que identificou maior incidência de problemas clínicos em animais provenientes de fontes ilegais ou com baixos padrões de bem-estar.

A pesquisa analisou 985 cães adotados durante a pandemia — período em que a alta demanda e a limitação de visitas presenciais favoreceram práticas inadequadas na aquisição. 

Com base em questionários on-line respondidos por responsáveis, os pesquisadores acompanharam a evolução da saúde dos animais desde a chegada ao novo lar até o início da fase adulta.

Adoção precoce e origem irregular elevam riscos

Os resultados mostram que cães adquiridos com menos de seis semanas de vida apresentaram, aos 21 meses, quase três problemas de saúde a mais em comparação com aqueles adotados em idade adequada.

Outro fator relevante foi a ausência da mãe no momento da adoção, associada a um aumento de 0,3 ocorrências clínicas. 

Além de ser um indicador de risco, essa prática também é considerada ilegal em regiões como Inglaterra, País de Gales e Escócia, conforme a chamada “Lei de Lucy”.

A experiência do responsável também influenciou: cães adotados por pessoas sem vivência prévia apresentaram, em média, 0,35 problemas adicionais de saúde.

Problemas de saúde são frequentes nos primeiros meses

De forma geral, 91,1% dos cães avaliados apresentaram ao menos um problema de saúde até os 21 meses. Entre as condições mais comuns estão:

  • Distúrbios digestivos (75,4%);
  • Problemas cutâneos (26,8%);
  • Alterações oculares (25,1%);
  • Questões respiratórias (18,5%);
  • Doenças auriculares (17,6%).

Mais da metade dos animais (54,6%) precisou de atendimento veterinário para pelo menos uma condição, e 23,5% dos responsáveis relataram custos acima do esperado com cuidados de saúde.

Decisão consciente é essencial para o bem-estar

O estudo reforça que muitos riscos à saúde têm origem antes mesmo da chegada ao novo lar, destacando a importância de decisões conscientes no momento da adoção. 

A pesquisa também chama atenção para o crescimento de práticas enganosas, especialmente em contextos de alta demanda, e para a necessidade de maior fiscalização e conscientização.

“Decidir ter um novo cão e levá-lo finalmente para casa é, muitas vezes, um momento entusiasmante para muitas famílias. No entanto, o nosso estudo identificou que a forma e o local onde os tutores adquirem os seus cães podem ter efeitos a longo prazo na sua saúde e bem-estar”, afirmou Fiona Dale.

E continua: “estes resultados evidenciam a necessidade de um maior conhecimento público sobre a legislação relativa à adoção de cães, de forma a proteger a sua saúde e bem-estar. Os potenciais tutores devem ser extremamente cuidadosos e atentos à origem dos cães e evitar fontes ilegais ou com baixos padrões de bem-estar animal, que podem ter impactos negativos a longo prazo na saúde do animal”.

Fonte: Veterinaria Atual, adaptado por Cães & Gatos

FAQ sobre como origem do cão pode interferir em sua saúde

Adotar um cão muito jovem pode trazer riscos?

Sim. A separação precoce da mãe está associada a maior incidência de problemas de saúde.

A origem do animal influencia mesmo após a adoção?

Sim. O estudo indica que condições iniciais impactam a saúde mesmo em lares adequados.

Como reduzir riscos ao adotar um cão?

Verifique a procedência, evite fontes ilegais e garanta que o filhote permaneceu com a mãe nas primeiras semanas de vida.