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Platinosomose felina: impacto hepático exige diagnóstico precoce na rotina clínica

Infecção parasitária associada à ingestão de lagartixas compromete vias biliares e demanda abordagem terapêutica específica

Platinosomose felina: impacto hepático exige diagnóstico precoce na rotina clínica
Por Rebecca Vettore
16 de março de 2026

Conhecida como “doença da lagartixa”, a platinosomose felina é uma enfermidade parasitária que acomete, principalmente, o sistema hepatobiliar dos gatos. 

A infecção é causada pelo trematódeo Platynosomum spp., que se instala nas vias biliares do animal e pode desencadear alterações hepáticas relevantes.

Para explicar os principais pontos do tema, conversamos com Danilo de Pádua, médico-veterinário com especialização em vigilância sanitária, nefrologia e comportamento animal.

Segundo ele, a transmissão da enfermidade ocorre principalmente pela ingestão de lagartixas, mas também pode envolver caramujos, caracóis, sapos, répteis e crustáceos, que atuam como hospedeiros intermediários.

“Por se tratar de felinos com comportamento caçador e hábito de ingerir lagartixas, essa acaba sendo uma patologia comum na rotina clínica, especialmente em regiões de clima tropical e subtropical”, conta o médico-veterinário.

Fatores de risco e evolução clínica

Danilo explica que a gravidade do quadro está relacionada à carga parasitária e ao tempo de infecção. Entre as complicações descritas estão colangite, colangiohepatite, fibrose biliar e cirrose.

“Embora o fígado seja o principal órgão acometido, o parasita também pode atingir pâncreas, intestino delgado e pulmões. Por isso, os sinais clínicos iniciais exigem atenção”, diz.

Com isso, ainda de acordo com ele, é fundamental observar a ocorrência de vômitos, diarreia, inapetência e prostração. Com a evolução da enfermidade, podem surgir, ainda, icterícia — caracterizada por pele e mucosas amareladas —, distensão abdominal decorrente de alterações hepáticas e febre nos dias posteriores.

Além disso, sempre que um gato é adotado, deve passar por avaliação clínica, já que exames iniciais são essenciais para a identificação precoce de alterações.

Diagnóstico e tratamento

A confirmação da doença deve ser feita por meio de exame coproparasitológico para pesquisa nas fezes, ultrassom e exame bioquímico.

“A ultrassonografia visualiza as alterações na vesícula biliar e nos ductos biliares e o exame bioquímico pode ser pedido para avaliar as enzimas hepáticas — ALT, FA e GGT —, além da dosagem de bilirrubinas”, conta Danilo. 

Após a confirmação do quadro, o tratamento indicado inclui fármacos à base de praziquantel — considerado mais eficaz — e/ou fenbendazol, administrados por três a cinco dias.

“O manejo também deve incluir suporte com hepatoprotetores. Caso haja infecção bacteriana secundária, recomenda-se instituir antibioticoterapia”, orienta o médico-veterinário.

Platinosomose felina: impacto hepático exige diagnóstico precoce na rotina clínica
De fácil transmissão, a doença chega aos gatos principalmente pela lagartixa (Foto: Reprodução)

Estratégias preventivas

A principal medida preventiva da plastinosomose é restringir o acesso do felino ao ambiente externo, reduzindo o contato com hospedeiros intermediários, especialmente lagartixas.

Além disso, recomenda-se remover possíveis transmissores do ambiente doméstico, realizar exames periódicos em animais com acesso à rua e manter a regularidade da vermifugação.

“A orientação adequada aos responsáveis e a condução criteriosa do diagnóstico são determinantes para evitar a progressão das lesões hepáticas e melhorar o prognóstico”, conclui Danilo. 

FAQ sobre platinosomose felina

O que causa a doença da lagartixa?

A enfermidade é causada pelo trematódeo Platynosomum spp., que se aloja nas vias hepatobiliares após a ingestão de hospedeiros intermediários, principalmente lagartixas.

Quais exames são indicados para confirmar o diagnóstico?

Coproparasitológico, ultrassonografia para avaliação da vesícula e ductos biliares, e exames bioquímicos para análise de enzimas hepáticas.

Como prevenir a infecção?

Limitar o acesso ao ambiente externo, reduzir o contato com hospedeiros intermediários, fazer exames periódicos em animais com acesso à rua e manter a vermifugação em dia.