Conhecida como “doença da lagartixa”, a platinosomose felina é uma enfermidade parasitária que acomete, principalmente, o sistema hepatobiliar dos gatos.
A infecção é causada pelo trematódeo Platynosomum spp., que se instala nas vias biliares do animal e pode desencadear alterações hepáticas relevantes.
Para explicar os principais pontos do tema, conversamos com Danilo de Pádua, médico-veterinário com especialização em vigilância sanitária, nefrologia e comportamento animal.
Segundo ele, a transmissão da enfermidade ocorre principalmente pela ingestão de lagartixas, mas também pode envolver caramujos, caracóis, sapos, répteis e crustáceos, que atuam como hospedeiros intermediários.
“Por se tratar de felinos com comportamento caçador e hábito de ingerir lagartixas, essa acaba sendo uma patologia comum na rotina clínica, especialmente em regiões de clima tropical e subtropical”, conta o médico-veterinário.
Fatores de risco e evolução clínica
Danilo explica que a gravidade do quadro está relacionada à carga parasitária e ao tempo de infecção. Entre as complicações descritas estão colangite, colangiohepatite, fibrose biliar e cirrose.
“Embora o fígado seja o principal órgão acometido, o parasita também pode atingir pâncreas, intestino delgado e pulmões. Por isso, os sinais clínicos iniciais exigem atenção”, diz.
Com isso, ainda de acordo com ele, é fundamental observar a ocorrência de vômitos, diarreia, inapetência e prostração. Com a evolução da enfermidade, podem surgir, ainda, icterícia — caracterizada por pele e mucosas amareladas —, distensão abdominal decorrente de alterações hepáticas e febre nos dias posteriores.
Além disso, sempre que um gato é adotado, deve passar por avaliação clínica, já que exames iniciais são essenciais para a identificação precoce de alterações.
Diagnóstico e tratamento
A confirmação da doença deve ser feita por meio de exame coproparasitológico para pesquisa nas fezes, ultrassom e exame bioquímico.
“A ultrassonografia visualiza as alterações na vesícula biliar e nos ductos biliares e o exame bioquímico pode ser pedido para avaliar as enzimas hepáticas — ALT, FA e GGT —, além da dosagem de bilirrubinas”, conta Danilo.
Após a confirmação do quadro, o tratamento indicado inclui fármacos à base de praziquantel — considerado mais eficaz — e/ou fenbendazol, administrados por três a cinco dias.
“O manejo também deve incluir suporte com hepatoprotetores. Caso haja infecção bacteriana secundária, recomenda-se instituir antibioticoterapia”, orienta o médico-veterinário.

Estratégias preventivas
A principal medida preventiva da plastinosomose é restringir o acesso do felino ao ambiente externo, reduzindo o contato com hospedeiros intermediários, especialmente lagartixas.
Além disso, recomenda-se remover possíveis transmissores do ambiente doméstico, realizar exames periódicos em animais com acesso à rua e manter a regularidade da vermifugação.
“A orientação adequada aos responsáveis e a condução criteriosa do diagnóstico são determinantes para evitar a progressão das lesões hepáticas e melhorar o prognóstico”, conclui Danilo.
FAQ sobre platinosomose felina
O que causa a doença da lagartixa?
A enfermidade é causada pelo trematódeo Platynosomum spp., que se aloja nas vias hepatobiliares após a ingestão de hospedeiros intermediários, principalmente lagartixas.
Quais exames são indicados para confirmar o diagnóstico?
Coproparasitológico, ultrassonografia para avaliação da vesícula e ductos biliares, e exames bioquímicos para análise de enzimas hepáticas.
Como prevenir a infecção?
Limitar o acesso ao ambiente externo, reduzir o contato com hospedeiros intermediários, fazer exames periódicos em animais com acesso à rua e manter a vermifugação em dia.

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