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Proteção da fauna em rodovias ainda enfrenta desafios no Brasil

Discussão sobre atropelamentos de fauna ganha força no Brasil e reforça a importância de medidas para tornar rodovias mais seguras para os animais silvestres

Proteção da fauna em rodovias ainda enfrenta desafios no Brasil
Por Stéfani Campos Chagas
27 de maio de 2026
Última atualização: 27/05/2026 - 11:19

A morte recente de uma onça-pintada atropelada no Pantanal reacendeu o debate sobre os impactos das rodovias na fauna brasileira. Apesar da repercussão do caso, especialistas alertam que os atropelamentos de animais silvestres são um problema antigo e pouco dimensionado no Brasil.

Em entrevista exclusiva ao portal Cães&Gatos, o biólogo Rodrigo Delmonte Gessulli, mestre em Ciências Ambientais e atuante há mais de 15 anos na área de ecologia de transportes, explicou que ainda existe carência de pesquisas sobre o tema em diferentes regiões do país.

“Atualmente, os estudos se concentram principalmente nas regiões Sul e Sudeste. Ainda há uma deficiência importante de pesquisas no Norte e Nordeste, por exemplo, o que dificulta estimar corretamente quantos animais são atropelados diariamente ou anualmente nas rodovias brasileiras”, afirma.

Rodrigo também integra a Rede de Estudos de Ecologia de Transportes (REET) e atualmente desenvolve projetos voltados a passagens de fauna na região Norte Fluminense, no Rio de Janeiro.

Espécies mais afetadas

Segundo o biólogo, os impactos dos atropelamentos precisam ser analisados sob dois aspectos: o número de indivíduos atingidos e o grau de ameaça das espécies.

“Mesmo espécies com poucos registros de atropelamento podem sofrer impactos severos se estiverem ameaçadas de extinção. Cada indivíduo perdido pode afetar significativamente a sobrevivência daquela população”, explica.

Entre os animais mais frequentemente encontrados atropelados está o gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris), espécie com ampla distribuição em áreas urbanas e naturais.

“Por ser um animal adaptável e presente em diferentes ambientes, ele acaba tendo maior contato com estradas e rodovias, aumentando o risco de atropelamento”, destaca.

Gambá-de-orelha-branca
Gambá-de-orelha-branca sofre com atropelamentos em estradas brasileiras (Foto: Propriedade de Native / Embrapa)

Rodovias em áreas vegetadas representam maior risco

De acordo com Rodrigo, diferentes fatores influenciam os índices de atropelamento de fauna. Entre eles estão o fluxo intenso de veículos e a localização das rodovias.

“Rodovias que cortam áreas de vegetação tendem a registrar mais travessias de animais silvestres. Já em áreas urbanas, normalmente há menos espécies utilizando esses espaços”, detalha.

Outro ponto importante, segundo ele, é a existência — ou ausência — de medidas de mitigação, como passagens de fauna e cercamentos.

As passagens podem ser inferiores, construídas no solo, ou superiores, instaladas acima das rodovias para conectar copas de árvores e facilitar o deslocamento de espécies arborícolas, como primatas.

“Cada estrutura precisa ser planejada de acordo com o comportamento das espécies da região. Animais arborícolas utilizam mais as passagens superiores, enquanto espécies terrestres tendem a usar estruturas inferiores”, observa.

Cercamentos ajudam a direcionar animais

O biólogo destaca ainda a importância dos cercamentos próximos às passagens de fauna. Conforme relata, essas estruturas funcionam como um direcionamento seguro para os animais.

“O cercamento ajuda a evitar que o animal atravesse diretamente a pista e também atua como um funil, conduzindo a fauna até a passagem segura”, pontua.

Para Rodrigo, porém, a adoção dessas soluções ainda está longe do ideal no Brasil.

“A malha rodoviária e ferroviária brasileira é muito extensa e ainda existem poucos estudos e estruturas implantadas. Antes de implementar as soluções, é necessário entender quais espécies são afetadas e quais estruturas são mais adequadas para cada local”, ressalta.

Mais pesquisas e políticas públicas

Na avaliação do pesquisador, expandir os estudos sobre atropelamentos de fauna e fortalecer políticas públicas são passos fundamentais para reduzir o problema.

“É importante ampliar os estudos, incentivar pesquisas acadêmicas e fortalecer as exigências no licenciamento ambiental para que as rodovias contem com medidas efetivas de mitigação”, conclui.

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Rodovias que cortam áreas de vegetação aumentam o risco de atropelamentos de fauna silvestre (Foto: Divulgação / Dnit)

FAQ sobre a proteção da fauna em rodovias

Quais animais são mais atropelados nas rodovias brasileiras?

O gambá-de-orelha-branca está entre as espécies com mais registros de atropelamento, porém diferentes animais silvestres são afetados dependendo da região e do ambiente.

O que são passagens de fauna?

São estruturas criadas para permitir que os animais atravessem rodovias com segurança. Elas podem ser subterrâneas ou aéreas, dependendo das espécies atendidas.

Cercamentos realmente ajudam a reduzir atropelamentos?

Sim. Os cercamentos impedem que os animais acessem diretamente a pista e ajudam a direcioná-los para passagens de fauna seguras.