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SACAVET destaca critérios cirúrgicos no manejo da obstrução uretral recorrente em gatos

Durante a SACAVET, a Dra. Ayne Murata Hayashi abordou os principais critérios para indicação cirúrgica em gatos com obstrução uretral recorrente, destacando o papel do manejo clínico na evolução do quadro

SACAVET destaca critérios cirúrgicos no manejo da obstrução uretral recorrente em gatos
Por Melissa Marques
30 de março de 2026

A obstrução uretral em felinos é uma das emergências mais frequentes na rotina veterinária e exige atenção imediata. 

Quando os episódios se tornam recorrentes, a discussão sobre a indicação cirúrgica passa a fazer parte do manejo clínico. Durante a SACAVET, a médica-veterinária Dra. Ayne Murata Hayashi trouxe uma abordagem prática sobre o tema, destacando que a recorrência é mais comum do que se imagina e, muitas vezes, está relacionada à condução inicial do caso.

“A gente tem uma casuística muito grande de gatos obstruídos, e muitos acabam voltando. Então não é só tratar aquele episódio agudo — o manejo desde o início vai impactar diretamente na chance de recorrência desse paciente”, explicou.

Quando a obstrução deixa de ser apenas um episódio

A obstrução uretral está frequentemente associada à doença do trato urinário inferior felino (DTUIF), uma condição multifatorial que envolve fatores ambientais, nutricionais e comportamentais. 

Nesse cenário, não existe uma única causa, o que torna o acompanhamento ainda mais importante.

Gatos machos, obesos, com baixa ingestão hídrica e que vivem em ambientes pouco enriquecidos estão entre os principais grupos de risco. A especialista reforçou que, sem mudanças no manejo, a tendência é que o quadro se repita.

Além disso, procedimentos repetidos também podem agravar a situação. 

“Hoje, uma das principais causas de trauma uretral que a gente observa é a sondagem repetida ou mal conduzida. Isso gera inflamação, estenose e pode acabar piorando o quadro ao longo do tempo”, alertou.

Estabilização do paciente é prioridade

Antes de qualquer decisão cirúrgica, a estabilização clínica do paciente deve ser a principal preocupação. A obstrução pode levar rapidamente a alterações metabólicas graves, especialmente relacionadas ao potássio.

“Se esse gato está obstruído há mais de 24 horas, praticamente certo que ele já tem hipercalemia. E isso pode causar arritmia e levar esse animal a óbito. Então, antes de pensar em cirurgia, a gente precisa estabilizar esse paciente”, destacou.

A desobstrução, o controle da dor e a correção das alterações eletrolíticas são etapas fundamentais antes de qualquer intervenção definitiva.

SACAVET destaca critérios cirúrgicos no manejo da obstrução uretral recorrente em gatos
Especialista destacou fatores que influenciam a recorrência da doença urinária felina (Foto: Cães & Gatos)

Indicações cirúrgicas e técnica utilizada

A cirurgia passa a ser indicada principalmente em casos de recorrência, falha no manejo clínico ou alterações estruturais da uretra, como estenoses e traumas.

A uretrostomia perineal é a técnica mais utilizada nesses casos, pois cria uma nova abertura em uma região mais ampla da uretra, reduzindo o risco de novas obstruções. Apesar de ser um procedimento conhecido, exige precisão.

“Não é uma cirurgia difícil, mas ela exige muito cuidado com a anatomia. Se não for bem executada, pode trazer complicações importantes, como estenose ou até incontinência”, explicou.

Cirurgia não resolve a causa de base

Um dos pontos mais enfatizados durante a palestra foi a importância de alinhar expectativas com o responsável. A cirurgia não trata a doença de base, mas sim suas consequências.

“Eu sempre explico: a cirurgia não cura a doença. Ela evita que o animal volte a obstruir, mas ele pode continuar tendo inflamação, desconforto urinário e outros sinais”, afirmou.

Por isso, o manejo ambiental, a alimentação adequada e o acompanhamento contínuo continuam sendo fundamentais mesmo após o procedimento.

Qualidade de vida depende do conjunto de estratégias

Embora não seja curativa, a cirurgia pode melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente quando bem indicada. No entanto, o sucesso a longo prazo depende de uma abordagem integrada, que envolva não apenas o procedimento, mas também mudanças no estilo de vida do animal.