A sarna canina é uma das dermatopatias mais frequentes na rotina clínica e pode afetar cães de diferentes idades e raças.
Apesar disso, ainda é comum que sinais iniciais sejam ignorados pelos responsáveis, o que contribui para a progressão da doença e agrava o quadro clínico.
De acordo com Karin Botteon, gerente técnica de pets da Boehringer Ingelheim, compreender os diferentes tipos de sarna, seus sinais e formas de prevenção é fundamental para garantir o diagnóstico precoce e o tratamento adequado.
Tipos de sarna em cães: conheça as diferenças
Entre os tipos mais comuns da doença no Brasil estão a sarna demodécica, a sarcóptica e a otodécica, cada uma com características e níveis de gravidade distintos.
“A demodécica é causada por ácaros do gênero Demodex, que são comensais, ou seja, já fazem parte da pele do cão em pequena quantidade, e a doença aparece quando há proliferação exagerada, geralmente estando associada a alterações de imunidade”, explica Karin.
Já a sarna sarcóptica tende a ser mais agressiva e contagiosa. “A sarna sarcóptica é causada pelo Sarcoptes scabiei, costuma provocar coceira muito intensa e é altamente contagiosa, além de ser uma zoonose”, destaca.
A versão otodécica, por sua vez, afeta principalmente a região dos ouvidos. “A otodécica acomete, especialmente, os ouvidos, causando prurido, incômodo e excesso de cera”, completa.

Animais mais suscetíveis à doença
Embora qualquer cão possa desenvolver sarna, alguns grupos apresentam maior predisposição, especialmente no caso da forma demodécica.
“Cães jovens, principalmente os com predisposição genética, têm maior risco de desenvolver a doença”, afirma a médica-veterinária.
Raças como American Staffordshire Terrier, Staffordshire Bull Terrier, Sharpei, Bulldog Francês e Bulldog Inglês estão entre as mais suscetíveis.
Além disso, fatores como baixa imunidade, má nutrição, doenças associadas e uso de medicamentos imunossupressores aumentam o risco, principalmente em animais adultos e idosos.
Já nas sarnas sarcóptica e otodécica, o principal fator de risco é o contato com animais infectados.
Sinais iniciais que costumam ser ignorados
Um dos principais desafios no controle da sarna é o reconhecimento precoce dos sinais clínicos, que muitas vezes são considerados leves pelos responsáveis.
“No início, é muito comum que os responsáveis subestimem sinais como pequenas falhas na pelagem, queda discreta de pelos, vermelhidão leve, descamação e escurecimento da pele”, alerta Karin.
Ela reforça que nem sempre a coceira aparece logo no início, especialmente na sarna demodécica, o que contribui para a demora na busca por atendimento.
Outros sinais incluem lambedura excessiva das patas, aumento de cera nos ouvidos e o hábito de balançar a cabeça com frequência.
Diagnóstico correto evita erros no tratamento
A semelhança dos sinais clínicos com outras doenças de pele pode dificultar a identificação da sarna, tornando indispensável a avaliação profissional.
“A sarna pode ser confundida com alergias, micoses, dermatites e infecções bacterianas. Por isso, o diagnóstico correto não deve ser feito apenas pela aparência das lesões”, explica a profissional.
Ainda segundo Botteon, exames como o raspado cutâneo profundo são essenciais, especialmente para a identificação da sarna demodécica.
Outros testes, como tricograma, citologia e avaliação com fita adesiva, também podem ser utilizados para confirmar o diagnóstico e descartar outras condições.

Impactos no bem-estar quando não tratada
A falta de tratamento pode levar à evolução do quadro e comprometer significativamente a qualidade de vida do animal.
“Quando a sarna não é tratada no início, a pele pode ficar cada vez mais inflamada, com feridas, crostas, queda acentuada de pelos, dor e infecções secundárias”, afirma Karin.
Além das alterações físicas, o problema também afeta o comportamento. “O animal pode apresentar apatia, prostração e piora geral da qualidade de vida. O impacto vai muito além da aparência da pele”, complementa.
A sarna pode ser transmitida para humanos?
A possibilidade de transmissão depende do tipo de sarna. A sarcóptica é considerada uma zoonose e pode afetar pessoas.
“Esse tipo pode, sim, ser transmitido para as pessoas, causando coceira e lesões na pele. Já a demodécica não é considerada transmissível”, esclarece.
Diante da suspeita, é fundamental procurar atendimento veterinário, evitar contato próximo até a confirmação do diagnóstico e manter a higienização de objetos e do ambiente.
Prevenção deve fazer parte da rotina
A prevenção ainda é pouco valorizada quando o assunto são as doenças de pele, mas é essencial para evitar complicações.
“A prevenção envolve manter o controle antiparasitário em dia, observar a pele e os ouvidos do animal e procurar o médico-veterinário diante de qualquer alteração”, orienta Botteon.
A veterinária também destaca a importância de uma abordagem preventiva mais completa.
“Soluções de amplo espectro, como NexGard Spectra®, podem ser aliadas dentro de um protocolo de saúde preventiva, sempre com orientação veterinária”, afirma.
Além disso, fatores como alimentação adequada, ambiente limpo e evitar o uso inadequado de medicamentos são fundamentais para reduzir os riscos.
Apesar da relevância, a prevenção ainda é negligenciada na prática.
“As doenças de pele, muitas vezes, só recebem atenção quando o problema está em um estágio mais avançado. Existe uma tendência de considerar alterações dermatológicas como algo apenas estético”, finaliza.
Legenda: A limpeza do ambiente é essencial no manejo de cães com suspeita de sarna (Foto: Reprodução)
FAQ sobre a sarna em cães
Quais são os tipos de sarna mais comuns?
No Brasil, as mais comuns são a sarna demodécica, a sarcóptica e a otodécica.
A sarna canina pode ser transmitida para os seres humanos?
A possibilidade de transmissão depende do tipo de sarna. A sarcóptica, por exemplo, é considerada uma zoonose e pode afetar pessoas.
Quais os sinais clínicos mais comuns da doença nos animais?
Pequenas falhas na pelagem, queda discreta de pelos, vermelhidão leve, descamação e escurecimento da pele são alguns dos sinais comuns da sarna em cães.
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