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Tartaruga-cabeçuda se desorienta após desova e vai parar em rua no Sul do ES

Iluminação artificial na orla fez fêmea de espécie ameaçada andar dois quarteirões em direção oposta ao oceano; biólogos alertam para os riscos do fotopoluição

Tartaruga-cabeçuda se desorienta após desova e vai parar em rua no Sul do ES
Por Equipe Cães&Gatos
8 de outubro de 2026

Uma fêmea adulta de tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) ficou desorientada após realizar a postura de seus ovos na Praia de Castelhanos, em Anchieta, no Sul do Espírito Santo.

Atraída pela forte iluminação artificial da orla, a tartaruga caminhou em direção oposta ao oceano e andou por cerca de dois quarteirões até parar no meio de uma rua residencial.

O resgate do animal foi realizado por uma equipe do Instituto de Pesquisa e Conservação Marinha (IPCMar), que conduziu a fêmea de volta ao mar em segurança. O caso acendeu o alerta de especialistas para os impactos do fotopoluição durante a temporada de reprodução das tartarugas marinhas no litoral capixaba.

Poluição luminosa ameaça fêmeas e filhotes durante a temporada

O período de reprodução das tartarugas marinhas no Espírito Santo teve início em setembro e se estende até meados de março. Tradicionalmente, as fêmeas emergem do mar à noite para desovar e utilizam o reflexo da luminosidade natural na água para retornar ao oceano. Quando há excesso de postes e luzes artificiais próximas à praia, o padrão de orientação é interrompido.

A desorientação afeta também os filhotes, que emergem dos ninhos cerca de 50 dias após a postura. Ao caminharem em direção às vias urbanas motivados pelas luzes das cidades, os animais ficam expostos a riscos graves, como atropelamentos, predação por cães e morte por desidratação sob o sol.

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Tartaruga se desorientou após desova e foi parar no meio da rua em Anchieta, no Sul do Espírito Santo (Foto: Jonas Pereira)

Orientações de resgate e normas de iluminação sustentável

Biólogos orientam que, ao avistar uma tartaruga em área urbana, a população deve evitar tocar ou puxar o animal. Medidas como apagar luzes externas de residências ou utilizar focos direcionados podem ajudar o réptil a retomar o rumo correto em direção ao mar.

Para mitigar os impactos da iluminação nas áreas de desova, especialistas e a norma NBR 5101:2024 da ABNT indicam a substituição de lâmpadas de LED branco por iluminação de tom âmbar e luzes quentes (entre 1.800 e 2.200 K). A instalação de anteparos nos postes da orla também evita que o fluxo luminoso alcance diretamente a faixa de areia.

Fonte: g1, adaptado pela equipe Cães&Gatos.