É verdade que a telemedicina faz parte da rotina veterinária, mas, com certeza, se tornou mais usual durante a pandemia de COVID-19. Com o aumento do uso da modalidade, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) decidiu normatizar a prática pela Resolução 1465/2022, para que, assim, o atendimento se tornasse mais organizado.
Mas quais são as regras desse tipo de consulta? Ele ainda é usado pelos responsáveis pelos pets mesmo no pós-pandemia?
Funcionando como uma ferramenta complementar e não como substituta plena da clínica presencial, a categoria de consulta on-line conta com critérios técnicos e éticos para garantir a segurança do paciente.
Entre as autorizações da resolução, médicos-veterinários com inscrição ativa no Sistema CFMV/CRMVs podem praticar modalidades como a teleconsulta (diagnóstico e prescrição remota), a teleorientação (dúvidas gerais) e a teletriagem (avaliação de urgência).
“Importante dizer que, quando falamos de teleconsulta e telemonitoramento, eles podem ser realizados apenas após um atendimento presencial prévio ou para acompanhar casos crônicos ou recuperações cirúrgicas”, diz Eliane Macedo Bernieri, médica-veterinária, mestre em Ciência Animal nos Trópicos e analista do setor de fiscalizações do CFMV.
Eliane explica que o profissional deve cumprir exigências técnicas essenciais, como o uso de plataformas que mantenham o sigilo dos dados e identificação dos participantes e, preferencialmente, que gravem toda a conversa.
“Essa escolha garante a transparência do processo e serve como respaldo jurídico tanto para o profissional quanto para o responsável pelo animal, devendo o sistema assegurar a confiabilidade e a confidencialidade dos dados trocados”, conta a analista do setor de fiscalizações do CFMV.
O veterinário ainda é obrigado a fazer um registro detalhado das informações em um prontuário médico, e as prescrições e documentos devem conter assinatura eletrônica avançada ou qualificada para garantir a autenticidade legal.
Embora a tecnologia facilite o acesso ao cuidado do animal de estimação, a resolução prioriza a saúde do paciente. Por isso, em situações de urgência e emergência, o atendimento presencial é obrigatório.

Serviços da telemedicina
Elaine ainda conta que, na modalidade de telemedicina, existem os serviços mais conhecidos, que são prestados aos pacientes, e outros menos falados, que podem ser oferecidos a médicos-veterinários.
Para os responsáveis pelos pets, o profissional pode realizar uma teleconsulta, na qual avalia os sintomas relatados e visíveis pelo uso de tecnologias de informação e comunicação (TICs), e teleorientação.
“Ela serve para tirar dúvidas gerais, nas quais o foco não é um diagnóstico específico, mas sim orientar o cuidador pelo animal sobre cuidados, alimentação, vacinação ou encaminhamento para especialistas”, conta a mestre.
O veterinário também pode usar o telemonitoramento como um recurso estratégico para o acompanhamento contínuo de pacientes que já possuem um histórico clínico consolidado por consulta presencial prévia. E essa conversa deve ser indicada especificamente para o manejo de doenças crônicas ou durante a recuperação de procedimentos clínicos e cirúrgicos.
Por fim, também é possível realizar uma teletriagem médico-veterinária, na qual será avaliado o estado do animal para determinar a urgência do caso, direcionando o responsável para um pronto-atendimento presencial ou agendando uma consulta futura.
De médico-veterinário para médico-veterinário
Na hipótese de a telemedicina servir como uma prestação de serviço para outros colegas de profissão, a tecnologia serve para unir conhecimentos, elevando o nível do diagnóstico e da assistência técnica aos animais.
Por meio da teleinterconsulta, o veterinário que está atendendo o animal presencialmente pode consultar um especialista à distância para trocar informações, compartilhar exames e decidir, em conjunto, a melhor conduta para o caso.
No telediagnóstico são enviados dados e imagens, como radiografias, ultrassons ou exames de sangue, para que um especialista em análise emita um laudo à distância.
“Isso permite que clínicas em cidades menores tenham acesso a especialistas em qualquer lugar do país”, explica Elaine.
Em conclusão, a analista do setor de fiscalizações do CFMV conta quais são os principais benefícios e prejuízos da telemedicina.
“Ela pode potencializar a fidelização ao oferecer agilidade, conveniência e suporte contínuo, tornando a rotina clínica mais presente, eficiente e organizada. Por outro lado, pode prejudicar o vínculo se for mal utilizada, gerando expectativas irreais de diagnósticos complexos sem exame físico, assim como a subestimação, pelo cuidador do animal, quanto à necessidade do atendimento presencial em situações graves”, finaliza.
FAQ sobre telemedicina veterinária
A modalidade tem regras?
A prática foi normatizada pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária e continua sendo utilizada como ferramenta complementar à clínica presencial no pós-pandemia.
Quais modalidades de telemedicina podem ser realizadas pelos veterinários?
Profissionais podem realizar teleconsulta, teleorientação, teletriagem,
telemonitoramento, teleinterconsulta e telediagnóstico.
Em quais situações o atendimento presencial é obrigatório?
Em casos de urgência e emergência. A resolução prioriza a saúde do paciente e determina que, nessas situações, a consulta deve ser feita presencialmente.

