A giardíase é uma das principais parasitoses que acometem o trato gastrointestinal de cães. A enfermidade, que é causada pelo protozoário Giardia spp., possui importância clínica e sanitária.
Para explicar os principais aspectos da doença, conversamos com Danilo de Pádua Santos, médico-veterinário com especialização em vigilância sanitária, Dermatologia, Nefrologia e comportamento animal.
“A infecção ocorre, principalmente, pela via oral-fecal, a partir da ingestão de água ou alimentos contaminados pelos cistos do protozoário. Esses sacos apresentam grande resistência no ambiente e podem permanecer viáveis por meses, o que favorece a disseminação da enfermidade entre animais que compartilham o mesmo espaço”, explica Danilo.
Apesar de afetar cães de diferentes idades, ocorre com maior frequência em filhotes, jovens, imunossuprimidos ou pets mantidos em locais com condições de higiene inadequadas.
“Não existem relatos de maior incidência em raças específicas. O que aumenta o risco é a exposição a ambientes contaminados e a fragilidade do sistema imunológico”, afirma o médico-veterinário.
Entre os sinais clínicos mais observados estão alterações gastrointestinais, especialmente diarreia, cuja apresentação pode variar de acordo com a carga parasitária e o estado imunológico do paciente.
“Também podem ocorrer vômitos, gases, distensão abdominal, dor abdominal e desidratação”, relata.
Contudo, Danilo ressalta que nem todos os animais apresentam manifestações clínicas evidentes.
“O cão pode eliminar cistos no local sem demonstrar sinais da doença. Isso ocorre quando a carga parasitária é pequena ou quando o sistema imunológico consegue controlar a infecção”, esclarece

Diagnóstico e exames laboratoriais
Os sinais clínicos da giardíase podem se assemelhar a diversas enfermidades gastrointestinais. Por isso, é necessário fazer uma investigação clínica criteriosa, que deve incluir anamnese detalhada, exame físico completo e análise do histórico do paciente.
“A confirmação da infecção é realizada, principalmente, por meio do exame coproparasitológico, utilizando técnica de flutuação com amostras de fezes frescas. Como a eliminação dos cistos pode não ocorrer em todas as evacuações, recomenda-se a coleta de três amostras em dias intercalados para aumentar a confiabilidade do resultado”, orienta o veterinário.
Outro método utilizado é o exame de PCR, que apresenta alta sensibilidade para a detecção do protozoário.
Manejo terapêutico e controle sanitário
Após a confirmação, o tratamento inicial mais indicado inclui o uso de antiparasitário à base de fenbendazol por três dias consecutivos, podendo se estender em determinadas situações.
Além disso, a fluidoterapia pode ser indicada como terapia de suporte, especialmente, em casos que apresentam desidratação e outros sinais clínicos associados.
“Quando existem infecções concomitantes ou outras enfermidades presentes, o tratamento precisa ser ajustado de acordo com as necessidades do paciente. Além disso, por se tratar de uma doença transmitida por via oral-fecal, a higienização adequada do ambiente com uso de água e sabão e produtos à base de amônia quaternária é uma das principais estratégias para evitar a disseminação do protozoário”, conta Danilo.
Após a limpeza do local do animal, o responsável também deve realizar a higienização das mãos para reduzir o risco de contaminação e prevenir a superlotação de bichos de estimação em um mesmo espaço.

FAQ sobre giardíase em cães
A enfermidade pode ocorrer sem sinais clínicos?
Sim. Alguns cães podem eliminar cistos do protozoário no ambiente sem apresentar sintomas. Isso ocorre quando a carga parasitária é pequena ou quando o sistema imunológico consegue controlar a infecção.
Por que é necessário coletar mais de uma amostra de fezes para o diagnóstico?
A eliminação dos cistos pode não ocorrer em todas as evacuações. Por isso, recomenda-se coletar três amostras em dias intercalados para aumentar a confiabilidade do exame.
A giardíase representa risco para humanos?
Sim. O risco de transmissão aumenta em locais com grande concentração de animais e contato direto ou indireto com indivíduos doentes, especialmente quando ocorre ingestão de água ou alimentos contaminados pelo protozoário.

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