Celebrado hoje (31 de julho), o Dia do Vira-Lata reforça a importância da adoção responsável, do combate ao abandono e da valorização dos animais sem raça definida (SRD).
Embora a data tenha como principal símbolo o vira-lata Caramelo, a reflexão sobre a adoção também alcança outros animais SRD, como os gatos, que representam a maioria da população felina dos lares brasileiros.
Mais do que uma homenagem, esse dia lembra que adotar um animal resgatado é uma forma de transformar vidas. Ao acolher um pet sem raça definida, a família oferece uma nova oportunidade ao pet e ainda contribui para que organizações de proteção possam resgatar outros cães e gatos que aguardam por um lar.
Segundo a diretora executiva do Instituto Caramelo, Yohanna Perlman, o Dia do Vira-Lata é uma oportunidade para conscientizar as pessoas de que a adoção deve ser a primeira opção quando se decide ter um animal de estimação.
“Quando uma pessoa adota um vira-lata, ela transforma uma vida e gera um impacto em várias frentes: oferece um lar, amor e segurança para aquele animal, reduz os custos das organizações de proteção, que aumentam quanto mais tempo o animal permanece no abrigo, e ainda abre espaço para que um novo resgate seja realizado”, afirma.
A executiva lembra que o Brasil possui cerca de 30 milhões de animais em situação de rua, realidade que reforça a necessidade de ampliar as ações de conscientização sobre adoção, castração e guarda responsável.
Preconceitos persistem
A percepção sobre os animais sem raça definida mudou nos últimos anos.
Entre os cães, o vira-lata Caramelo se consolidou como um símbolo nacional e ajudou a fortalecer a imagem dos SRDs.
Já entre os felinos, os animais sem raça definida também têm grande presença nos lares brasileiros: dados do PetCenso 2025 mostram que eles representam a maioria da população de gatos domésticos.
Apesar dos avanços, alguns preconceitos ainda influenciam a escolha de um animal.
Segundo Yohanna, no caso dos cães, o principal desafio hoje está menos relacionado ao fato de o animal ser um vira-lata e mais às escolhas baseadas apenas na aparência ou no porte.
Muitas pessoas acreditam que cães pequenos são automaticamente mais indicados para apartamentos, quando, na prática, o comportamento deve ser o principal critério.
“Existem cães pequenos extremamente ativos e reativos, enquanto muitos vira-latas de porte médio ou grande, especialmente os mais velhos, são tranquilos e se adaptam perfeitamente à vida em apartamentos”, esclarece.
Para a diretora, o grande desafio é incentivar que as pessoas escolham um animal pelo perfil comportamental e pela compatibilidade com o estilo de vida da família, e não apenas pela aparência.

O vínculo da adoção
Cada animal possui uma personalidade única. No caso dos cães sem raça definida, Perlman afirma que muitos responsáveis relatam uma relação marcada por lealdade, companheirismo e um forte vínculo afetivo.
“Quem adota costuma dizer que esse olhar de gratidão é algo muito marcante. Além de transformar a vida daquele pet, a adoção também contribui para enfrentar um dos maiores desafios da causa animal: o grande número de cães em situação de rua”.
Ela acrescenta que, embora não seja possível generalizar, cães SRD costumam apresentar menor incidência de alguns problemas congênitos observados em determinadas raças submetidas a intensos processos de seleção genética.
Independentemente da espécie, a adoção deve ser resultado de uma decisão consciente.
De acordo com Yohanna, o responsável precisa entender que está assumindo um compromisso que pode durar entre 12 e 16 anos, envolvendo alimentação adequada, vacinação, acompanhamento veterinário, planejamento financeiro e tempo para oferecer qualidade de vida ao animal.
Outro ponto essencial é considerar o comportamento do pet.
“Mais importante do que escolher um animal pela aparência é buscar aquele cujo comportamento seja compatível com o estilo de vida da família”, orienta.
Embora a diretora se refira aos cães, planejamento, responsabilidade e compromisso ao longo de toda a vida também são pilares da adoção de gatos e de outros animais de companhia.
O símbolo Caramelo
Para Perlman, a evolução da Medicina Veterinária e o fato de os animais ocuparem um lugar cada vez mais importante dentro das famílias contribuíram para ampliar a valorização dos cães sem raça definida.
Ela destaca ainda que o vira-lata Caramelo se tornou um verdadeiro símbolo nacional e ajudou muitas pessoas a enxergarem a adoção de forma diferente.
“Hoje é comum encontrarmos famílias que convivem com cães de raça e vira-latas. Esse movimento mostra que as pessoas entenderam que adotar também é exercer um importante papel social”, pontua e confia que a adoção deixou de ser vista apenas como uma alternativa e passou a representar uma escolha consciente para muitas famílias.

Um lar transforma mais de uma vida
A diretora executiva do Instituto Caramelo reforça, ainda, que incentivar a adoção não significa desvalorizar a criação responsável de animais de raça, mas sim reduzir o número de cães e gatos abandonados por meio da conscientização, da castração e da guarda responsável.
“A principal mensagem é que adotar é um ato de responsabilidade e de transformação. Quem escolhe adotar não apenas ganha um companheiro, mas também participa ativamente do ciclo de salvar uma vida”, conclui.
Sejam cães ou gatos, os animais sem raça definida compartilham a mesma necessidade: encontrar uma família que lhes ofereça cuidado, respeito e qualidade de vida.
Neste Dia do Vira-Lata, a principal mensagem é que toda adoção responsável tem potencial para transformar a vida do pet, da família e fortalecer o trabalho das organizações de proteção animal.

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