Uma pitão-reticulada de 4,5 metros do Zoológico de Chester, no Reino Unido, tornou-se a primeira serpente do mundo a receber o tratamento de eletroquimioterapia — uma técnica da oncologia humana adaptada para a Medicina Veterinária.
O animal, que sofria com um tumor maligno na mandíbula, passou pelo procedimento inédito e, meses após a intervenção, está totalmente livre da doença e com o comportamento restabelecido.
O diagnóstico de fibrossarcoma ocorreu após os cuidadores notarem prostração e perda de apetite no réptil. O tumor chegou a ser removido cirurgicamente em um primeiro momento, mas reapareceu de forma agressiva, invadindo o osso mandibular.
Diante da reincidência, a equipe médica do zoológico buscou uma alternativa terapêutica em colaboração com especialistas da Universidade de Liverpool.
Impulsos elétricos potencializam ação de quimioterápico no tumor
A eletroquimioterapia combina a aplicação do fármaco oncológico bleomicina a impulsos elétricos de curta duração diretamente na região afetada.
O estímulo elétrico altera temporariamente a permeabilidade das membranas das células tumorais, permitindo que a medicação penetre com maior intensidade e eficácia. Isso possibilita o uso de dosagens mais baixas de quimioterapia, muitas vezes resolvidas em uma única sessão.
Para viabilizar a operação em um animal de grande porte, os veterinários precisaram anestesiar a serpente em seu próprio recinto e unir duas mesas cirúrgicas, utilizando mantas térmicas e ar quente para estabilizar a temperatura corporal do réptil.
Durante a intervenção de 90 minutos, foi realizada a ressecção da massa tumoral e de parte do osso afetado, seguida imediatamente pela aplicação dos pulso elétricos.

Recuperação completa e avanço para a oncologia em répteis
Apesar da remoção de parte da estrutura óssea, a anatomia da pitão permitiu uma recuperação funcional perfeita.
Como as serpentes possuem capacidade de desarticular a mandíbula para ingerir presas grandes, o animal voltou a se alimentar sozinho e sem dificuldades durante o período de observação pós-operatória. Exames recentes confirmaram a ausência de células cancerígenas na região.
A equipe médica do Zoológico de Chester anunciou que publicará os detalhes formais do protocolo científico em um periódico especializado. A documentação servirá como guia para que veterinários de todo o mundo possam aplicar e aprimorar a eletroquimioterapia no tratamento de neoplasias em répteis e animais exóticos.
Fonte: Veterinária Atual, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar.