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Bob, o cão que permaneceu no cemitério e inspirou lei estadual sobre sepultamento de pets

História de lealdade motivou norma em São Paulo que autoriza o enterro de cães e gatos no mesmo jazigo de seus responsáveis, mediante regulamentação municipal

Bob, o cão que permaneceu no cemitério e inspirou lei estadual sobre sepultamento de pets
Por Equipe Cães&Gatos
2 de março de 2026

Um cão chamado Bob ficou conhecido em Taboão da Serra (SP) após permanecer no Cemitério da Saudade por mais de uma década, depois do sepultamento de sua primeira responsável. 

Segundo relatos de funcionários, ele acompanhou a cerimônia e não deixou mais o local.

“Terminou o sepultamento, todos foram embora e o Bob ficou”, conta Ana Rita Rodrigo de Santos, diretora do cemitério. “Depois, ele acabou se acostumando com os funcionários.”

Ao longo dos anos, Bob passou a conviver com trabalhadores e visitantes. Ailton Francisco dos Santos, coveiro do espaço, tornou-se uma de suas principais referências. 

“Ele era muito querido aqui. Podia estar chovendo, fazendo sol, ele ia. Todos os enterros ele estava presente”, lembra.

O animal viveu no cemitério por mais de dez anos. Brincava com bolinhas e recebia doações após mobilização organizada pela protetora Valéria Ribeiro nas redes sociais. 

Em 2021, morreu após ser atropelado por uma motocicleta. Em homenagem, foi instalada uma estátua na entrada do local com a mensagem: “Nossa homenagem e gratidão aos seus ensinamentos de amor”.

Com autorização da prefeitura, Bob foi sepultado no próprio cemitério — até então, o único animal enterrado ali. 

Sua trajetória acabou dando nome à chamada “Lei Bob Coveiro”, aprovada posteriormente no estado.

Lei estadual amplia possibilidade de sepultamento conjunto

Neste mês, o estado de São Paulo sancionou uma lei que permite que cães e gatos sejam enterrados no mesmo jazigo de seus responsáveis em cemitérios públicos e privados. A medida foi inspirada na história de Bob.

Com a nova legislação em vigor, os municípios deverão regulamentar os procedimentos técnicos e sanitários. 

Segundo João Manoel da Costa Neto, diretor-presidente da SP Regula, responsável pela fiscalização dos cemitérios na capital, ainda serão definidos critérios específicos.

“Vamos entender com a vigilância a questão da decomposição do cadáver animal, qual tipo de recipiente ou caixão deve ser usado e se existe alguma vedação necessária para que não tenha contaminação”, explica. 

Também deverão ser estabelecidas regras relacionadas ao velório e ao sepultamento. A lei determina que os custos sejam integralmente arcados pela família.

Antes da norma estadual, cidades como Matão e Campinas já contavam com legislações municipais semelhantes. Em Florianópolis, a prática é permitida desde 2017.

Bob, o cão que permaneceu no cemitério e inspirou lei estadual sobre sepultamento de pets
Monumento homenageia o cão que viveu por mais de dez anos no local e inspirou legislação estadual (Foto: Reprodução)

Ritual de despedida e impactos para saúde pública

Especialistas apontam que a regulamentação pode contribuir tanto para a saúde pública quanto para o processo de luto das famílias.

“Isso diminui muito aquele hábito incorreto da pessoa eventualmente sepultar em qualquer terreno, fundo de casa, terreno baldio, o que é um risco muito grande de contaminação do solo”, afirma João Manoel.

A médica-veterinária Rita Erickson ressalta o aspecto simbólico da medida. 

“Abrir a possibilidade do animal ir para o jazigo da família assume, de uma vez por todas, o papel dele como membro da família”, destaca.

Ela também observa que escolher um local apropriado pode favorecer a elaboração do luto. “Quando a gente enterra um ser que a gente amou muito no nosso caminho, isso pode trazer uma consequência emocional complicada, porque a gente não passa pelo túmulo de alguém que a gente ama todo dia na hora de ir ao trabalho.”

No fim, segundo a profissional, o mais importante é reconhecer o vínculo. 

“Não tem certo, não tem errado. Cada família tem a sua crença e quer fazer a sua homenagem. Conversar sobre, olhar fotos, contar histórias. Essas são as formas que a gente tem para lidar melhor com o luto”, conclui.

Fonte: Anda, adaptado por Cães & Gatos

FAQ sobre Bob e sepultamento de animais

A nova lei já está valendo em todo o estado de São Paulo?

Sim, a norma estadual já foi sancionada, mas cada município ainda precisa regulamentar os procedimentos técnicos e sanitários.

Quais animais podem ser enterrados no mesmo jazigo do responsável?

A lei contempla cães e gatos, tanto em cemitérios públicos quanto privados.

Os custos do sepultamento ou cremação são cobertos pelo poder público?

Não. A legislação estabelece que todas as despesas são de responsabilidade da família.